A Europa parece escapar à recessão apesar da ‘policrise’ que envolveu confinamentos e pandemia, a guerra, a disrupção da cadeia de abastecimento, a inflação e o aumento das taxas de juro, como apontava recentemente a revista “The Economist”. Mas o preço dessa resistência – ou resiliência como agora é moda dizer-se – foi a alteração de um modelo de vida que obriga à alteração de comportamentos e à adoção de criteriosas escolhas, para que possamos manter um nível de consumo equivalente ao da década anterior.
Como muito recentemente destacou a DECO Proteste, se em fevereiro de 2022 um cabaz de bens alimentares custava 184 euros, agora, um ano passado, esse mesmo cabaz custa 229 euros. Isto significa que apesar de se começarem a observar ligeiras descidas na taxa de inflação, “o preço dos bens alimentares continua em rota ascendente”, como salienta a revista editada pela organização de defesa dos consumidores.
Os mais cerca de 45 euros mencionados equivalem a um aumento verdadeiramente brutal de 24,52%, e ao valor mais elevado desde que a DECO Proteste iniciou a monitorização dos preços do cabaz alimentar a 5 de janeiro.
Insidiosamente, também, os números do desemprego vão aumentando. Como foi noticiado ainda esta semana, o número de inscritos nos centros de emprego aumentou 4,9% em janeiro face ao mês anterior, e esse foi o sexto mês consecutivo de crescimento no desemprego registado em Portugal em cadeia (desde julho de 2022), e um aumento absoluto de 15.081 desempregados, para um total de 322.086. Sendo que 73,1% dos registados pertencem ao setor dos “serviços”, destacando-se as atividades imobiliárias, administrativas e dos serviços de apoio.
Continuando a escapar a uma recessão, o cenário não é, assim, promissor. Os analistas mais pessimistas perspetivam para Portugal um ano de crescimento anémico ou de quase zero com a inflação a rondar os 7 a 8%. Os portugueses continuarão a pagar mais no supermercado pelos mesmos bens alimentares e o número de falências das pequenas empresas e dos comércios de bairro poderá aumentar.
Esperemos que não. Que a estabilidade económica se sobreponha e os empregos continuem a existir. Contudo, é inevitável uma retração no consumo. Aliás, está já em curso, consequência de as famílias terem já atingido uma taxa de poupança muito reduzida. Quem pode, recorre agora à opção pelos certificados de aforro ao mesmo tempo que, tal como noticiado, houve uma enorme queda dos depósitos na banca com uma “fuga” de 2,5 mil milhões de euros.
Uma coisa é certa, os aumentos dos preços para os consumidores vieram para ficar. E muitos portugueses beneficiariam de procurar aconselhamento financeiro e de combate ao sobre-endividamento. Só com uma sólida literacia financeira e uma postura lúcida de gastos e consumo se conseguirá evitar o pior.

Muito interessante a notícia dada por este jornal de que a cidade de Seul criou um espaço no metaverso para acesso aos serviços públicos. Os cidadãos podem entrar no ‘Metaverso Seul’ com os seus avatares para aceder a documentos oficiais, apresentar reclamações ou tirar dúvidas. Uma antecipação do futuro.