Luís Mira Amaral, Engenheiro e Economista

O lítio em Boticas

Portugal tem as maiores reservas e recursos em lítio à escala europeia, o que nos torna bastante interessantes neste continente.

O novo modelo energético é intensivo em matérias-primas e recursos minerais, enquanto o modelo que se pretende substituir é intensivo em combustíveis fósseis.

Portugal tem as maiores reservas e recursos em lítio à escala europeia, o que nos torna bastante interessantes neste continente. Neste contexto, salienta-se o projeto mineiro de lítio da empresa Savannah Resources em Boticas. Sou membro do Conselho Consultivo da empresa e aceitei sê-lo porque acreditei no projeto.

Acabou de ser concluído o Estudo Definitivo de Viabilidade (DFS), que é um dos estudos mais relevantes no processo de desenvolvimento dum projeto associado a recursos minerais. No mundo, só um em cada mil projetos de desenvolvimento mineiro chega a esta fase.

A análise confirma uma Reserva Provável inicial de 20 milhões de toneladas de minério e matéria-prima suficiente para mais de sete milhões de baterias para veículos elétricos. E abre caminho para uma possível extensão do projeto para mais de 40 anos.

O projeto pagará em dez anos cerca de 700 milhões de euros em impostos, taxas e royalties. Já tinha recebido a classificação de projeto estratégico para a União Europeia e o Governo português, através do AICEP, vai apoiar com cerca de 110 milhões de euros.

A empresa já tem cerca de quatro mil acionistas em bolsa, com uma grande componente portuguesa, e um acionista alemão relevante, a AMG Critical Materials, que também será o primeiro cliente e que montou a primeira refinaria de lítio da Europa na Alemanha, tendo sinalizado a vontade de fazer o mesmo no nosso país.

Portugal poderá ter então uma posição relevante na cadeia de valor do veículo elétrico, com a exploração mineira do lítio, uma refinaria, uma fábrica de baterias em Sines e duas unidades de produção de veículos elétricos, a Autoeuropa e a Stellantis em Mangualde.

Muito relevante, também, o impacto social na zona do Barroso e na região de Trás-os-Montes. O projeto prevê a criação de 500 empregos diretos na mina e na unidade industrial, e cerca de mil indiretos, indo ser construídas e financiadas pelo projeto infraestruturas no domínio das comunicações, água, reciclagem e da saúde, entre os quais se destaca a estrada de ligação à A24, velha aspiração de Boticas.

Ao dia de hoje a empresa já emprega cerca de 30 pessoas, alguns emigrantes que retornaram, e já há vários acordos de parceria com associações recreativas e empresariais, baldios e paróquias.

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