Alexandra Paio, Docente do ISCTE-IUL

O Festival

Ciência e tecnologia aliam-se à arte e cultura para demonstrar que é possível ter soluções inclusivas, sustentáveis e estéticas.

Para sublinhar o papel das Artes na abordagem aos desafios significativos do século XXI e facilitar a partilha de boas práticas, a Europa celebrou, na semana passada, O Festival. Três dias para tomar consciência das transformações verdes e digitais, necessárias e em curso, e, assim, contribuir para melhorar a qualidade da vida quotidiana.

Ciência e tecnologia aliam-se à arte e cultura para demonstrar que é possível ter soluções inclusivas, sustentáveis e estéticas. Exposições, performances artísticas e mesas redondas permitiram debater inovação e educação numa combinação equilibrada de políticas, iniciativas participativas com especialistas e ativistas das mais variadas áreas: sociólogos, ambientalistas, artistas, arquitetos, jornalistas e políticos.

Imaginação e criatividade são a chave para cocriar e tornar as narrativas ecológicas uma realidade. E Portugal disse “presente”, através da participação dos arquitetos e investigadores José Pedro Sousa e Teresa Cálix, da Faculdade de Arquitetura da Universidade  do Porto, e da designer Mariana Costa e Silva. Bem como, com uma mostra de 11 projetos de iniciativas independentes, de Trás-os-Montes ao Algarve, selecionadas para os eventos paralelos.

Ao longo das curvas da Linha do Tua, em Mirandela, o “Pelo andar da carruagem” mergulha na paisagem imaginária e emocional da linha férrea e apresenta memórias, tradições e beleza natural através de performances de música, teatro e dança, desenvolvidas por cinco artistas em parceria com a população de cinco aldeias e estudantes locais. No mesmo sentido, o documentário “Stories from both sides” apresenta uma visão coletiva para o redesenho da interação da população local com as áreas naturais protegidas circundantes da foz do rio Neiva. Um alerta para os frágeis ecossistemas de cada lado do rio, no sentido da sua valorização e proteção.

“A RUA ZERO: (Re)Imagining Coimbra” deu início a ações coletivas para abordar o futuro do centro histórico de cidade, promovendo um laboratório de cocriação de uma cidade ‘amiga das crianças’ e de ‘espaços de entretanto’ para os artistas nas lojas vagas.

O Algarve esteve representado pelo “Al-Bauhaus Dream Factory”, uma mostra de exposições, debates e oficinas criativas para imaginar, sonhar e codesenhar lugares futuros com a identidade da região: “Bauhaus do Mar” e “(Re)Construções com Identidade, Inovação e Natureza”.

A Associação Cultural Mombak, em Almada, convidou-nos através da poesia, música e performance a navegarmos por uma nova forma de pensar e viver uma vida quotidiana ecologicamente sã no “FesThink – Festival of Thought.  Está tudo ligado!”. Tal como o Eco-Empathy, onde estudantes-artistas da Escola de Teatro Profissional do TEC, em Cascais, alertam para o desenvolvimento  de uma consciência urgente de ligar a ecologia ambiental à social e, desta forma, cultivar um sentido de responsabilidade para o futuro de toda a vida na Terra.

Numa reflexão sobre a questão da  cocriação e o seu papel significativo em Portugal, o DINÂMIA’CET-iscte  apresentou  uma maratona de entrevistas  a arquitetos, designers, urbanistas e ativistas intitulada 40×4′ CoDesign Views.

Podem os novos valores europeus da Bauhaus – estéticos, sustentáveis, inclusivos – ressoar em todo o mundo?  A resposta é sim. Viva o Festival!

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