“O Desencanto de Lisboa”. Como a capital se transformou “num cenário de Instagram à custa de quem lá vive”

Livro publicado por editora da ilha de São Miguel assume-se como um testemunho de como o ADN de Lisboa está a desaparecer rapidamente e onde passear por algumas das zonas mais emblemáticas da cidade é "como participar numa luxuosa e altamente lucrativa festa de máscaras em nome da riqueza".

“O Desencanto de Lisboa”. Como a capital se transformou “num cenário de Instagram à custa de quem lá vive”
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Um anti-guia que nasce da exasperação de quem vê a sua cidade “transformada num cenário de Instagram à custa de quem lá vive”. Esta é uma das formas que o autor do livro “O Desencanto de Lisboa” descreve o atual cenário na capital portuguesa devido ao excesso de turismo e que é detalhada num artigo publicado no jornal italiano, “La Stampa”.

Sob o pseudónimo de Alfredo Isaias, o autor apresenta-se como “um peão profissional, mais do que um escritor; um observador impassível da colisão em câmara lenta da cidade com o seu próprio folheto publicitário”, num livro editado pela Inchas Editora, empresa independente sediada na ilha de São Miguel, nos Açores, em colaboração com a agência We Hate Tourism Tours.

Nesta obra que se encontra publicada em inglês, o autor fala da transformação que Lisboa viveu nos últimos 15 anos assente em dois fenómenos estruturais de migração que têm os efeitos mais disruptivos na identidade local: os “aristocratas do Vistos Gold”, que compram residências através de transações imobiliárias que funcionam como um ‘beijo de Judas’, que “rouba a alma e a propriedade sem qualquer responsabilidade cívica real”.

O segundo fenómeno apontado são os nómadas digitais descritos pelo autor como “emigrantes de luxo que aumentam o preço do café e das rendas das casas através de uma brutal disparidade no poder de compra”.

Para o autor estes dois cenários estão a empurrar os lisboetas para fora do centro da cidade, em direção aos subúrbios, transformando-os em “estrangeiros melancólicos” na sua terra natal. Os bairros de Lisboa estão por isso a perder a sua identidade.

“Hoje, passear da Rua do Carmo à Praça Luís de Camões, é como participar numa luxuosa e altamente lucrativa festa de máscaras em nome da riqueza”, escreve o autor, que deixa uma recomendação básica, que também se aplica a todos os recantos autênticos de Lisboa.

“Devem ser descobertos, vivenciados, mas não publicados, porque no momento em que se tornam pontos imperdíveis do Instagram, a sua ‘sentença de morte’ é decretada. Seguir-se-ão as multidões e os inevitáveis ​​aumentos das rendas”.

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