Lei do Arrendamento. Proposta aprovada na generalidade após acordo para alterações entre Governo e Chega

O documento foi aprovado na generalidade com os votos favoráveis do PSD, IL, CDS-PP, a abstenção do Chega e contra do PS, Livre, PCP, PAN, JPP e BE. Contratos mais flexíveis e despejos mais céleres são algumas das medidas incluídas na proposta de lei do Governo para alterar o regime do arrendamento urbano. O acordo foi assinado entre o presidente do Chega, André Ventura e o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares.

Lei do Arrendamento. Proposta aprovada na generalidade após acordo para alterações entre Governo e Chega
O presidente do Chega, André Ventura (E), conversa com o deputado do Partido Social Democrata (PSD), Hugo Soares (D), durante os trabalhos da primeira sessão plenária da XVII Legislatura, na Assembleia da República, em Lisboa, 03 de junho de 2025. Os 230 deputados eleitos nas legislativas de 18 de maio iniciam funções na primeira sessão plenária da XVII legislatura. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

A proposta de lei do Governo para alterar o novo regime de arrendamento urbano foi aprovada na sua generalidade no parlamento na quarta-feira, 30 de setembro, depois de um acordo entre o Governo e o Chega para negociarem “melhorias” na especialidade. O documento foi aprovado na generalidade com os votos favoráveis do PSD, IL, CDS-PP, a abstenção do Chega e contra do PS, Livre, PCP, PAN, JPP e BE, com as restantes iniciativas dos partidos relativas a este tema sido rejeitadas.

O acordo foi assinado entre o presidente do Chega, André Ventura e o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares. “Tendo o Governo apresentado na Assembleia da República uma proposta para alterar a legislação em matéria de arrendamento urbano e tendo o Chega apresentado vários dos elementos constantes da mesma que necessitam de alterações e/ou garantias de aperfeiçoamento, o PSD compromete-se formalmente a levar a cabo quatro alterações”, lê-se no acordo citado pela Lusa.

A primeira passa por colocar no diploma “a limitação da exigência de pagamentos antecipados e cauções, face à extensão proposta pelo Governo”. Outra alteração passa por “proteger os idosos, especialmente os mais carenciados, com contratos anteriores a 1990 e com regime de compensação de senhorios”.

O PSD compromete-se a, na especialidade, a “aprofundar a resposta social ao inquilino e reforçar o fundo de emergência habitacional para salvaguarda do direito à habitação constitucionalmente previsto”, de forma a garantir que não haverá “uma política selvagem de despejos em Portugal”.

A última alteração contempla a garantia de que haverá uma “efetiva distinção de situações de abuso e incumprimento reiterado e propositado”, em que o despejo tem de ser “rápido e eficaz”, das situações de “incapacidade real geradas por agravamentos extraordinariamente elevados das rendas”.

Durante o debate e em resposta à deputada do Chega, Marta Martins da Silva, a secretária de Estado da Habitação, Patrícia Gonçalves Costa, demonstrou disponibilidade do Governo para “limar e melhorar” o regime de arrendamento urbano no processo de especialidade no Parlamento, apontando “muitos pontos” de convergência com o Chega e disponibilidade para os articular.

O Governo quer devolver confiança ao arrendamento e mobilizar mais casas para o mercado através da construção, mas também da disponibilidade dos proprietários para colocar mais imóveis disponíveis. “Só vamos conseguir mobilizar parque habitacional existente, gerando a confiança de todos. O Governo não quer fazer uma revolução no mercado do arrendamento. Está a fazer uma reforma e a diferença não é semântica”, afirmou a governante.

Para o Governo, o aumento da construção de habitação pública e privada tem de ser acompanhado pela mobilização do parque habitacional existente, criando condições para que mais casas possam chegar ao mercado de arrendamento. “A necessidade é muito clara: é imperativo aumentar a oferta de casas em Portugal”, referiu Patrícia Gonçalves Costa.

Ainda antes do acordo assinado André Ventura tinha criticado a opção do Governo de avançar com uma autorização legislativa na área da habitação, em vez de apresentar um pacote legislativo completo.

Ventura defendeu que a evolução do mercado deve ser analisada tendo em conta o aumento da procura e os seus efeitos sobre os preços. Na sua intervenção, atribuiu parte dessa pressão à política de imigração do país, afirmando que “o abrir das portas a toda a gente provocou um brutal aumento de procura na habitação”.

O líder do Chega deu como exemplo o caso de Odemira, onde o preço das casas aumentou 114%. A evolução das rendas foi outra das preocupações levantadas pelo líder partidário que recordou que “nos últimos seis anos, as rendas dos portugueses subiram descontroladamente”, defendendo que o parlamento não pode ignorar o impacto desses aumentos sobre o orçamento das famílias. “São homens e mulheres que não conseguem pagar a sua casa”, afirmou, defendendo que as políticas públicas não devem permitir aumentos das rendas sem limites.

Depois de anunciar na véspera que votaria contra a proposta do Governo para o Novo Regime de Arrendamento Urbano, o líder da bancada parlamentar do Partido Socialista, Eurico Brilhante Dias, considerou que ”este deve ser o Governo mais inseguro da República Portuguesa desde o 25 de Abril. 43 autorizações legislativas, umas depois das outras”.

Durante o debate o socialista recordou que em dois anos e meio o Governo da AD apresentou praticamente o mesmo número de autorizações legislativas que os governos do PS durante oito anos, questionando o porquê do atual Governo “fugir do Parlamento e não quer discutir a política de arrendamento no parlamento.

O líder parlamentar do PS considerou que o executivo PSD/CDS-PP, com a sua proposta de autorização legislativa, pretende obter da Assembleia da República “um cheque em branco” com vista a instituir medidas que vão “criar uma insegurança crescente nos inquilinos”.

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Rodolfo Alexandre Reis30 Set
Patrícia Gonçalves Costa defende uma reforma gradual do arrendamento urbano, com maior previsibilidade para os senhorios e arrendatários e proteção reforçada para os agregados mais vulneráveis. O Novo Regime do Arrendamento Urbano (NRAU) baixa para a especialidade depois do Partido Socialista e Chega anunciarem o seu voto contra.