Israel: Benjamin Netanyahu começa a sofrer forte erosão política

Com o caos instalado nas ruas de várias cidades israelitas, o atual primeiro-ministro está a perder espaço político. Com cinco eleições realizadas desde 2019, as sondagens são incontornáveis: a atual maioria perde para uma possível coligação de centro-esquerda.

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As duas mais recentes sondagens publicadas em Israel – pelos canais de televisão Channel 12 News e Kan News – mostraram que o Likud, o partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, não resistiu a várias semanas de contestação nas ruas devido à intenção de alterar as leis que sustentam a independência do Supremo Tribunal: as intenções de voto atuais implicariam a eleição de 25 deputados ao invés do atuais 32, o que impediria a formação de um governo por si liderado.

É certo que sondagens são apenas sondagens, mas, num país que passou por cinco auscultações nos últimos anos, nenhum político pode dar-se ao luxo de governar sem ‘espreitar’ para os seus resultados.

Não sendo um resultado surpreendente, surpreende, por outro lado, o facto de o partido da oposição que mais está a tirar partido da descida do Likud não ser o Yesh Atid, do anterior primeiro-ministro Yair Lapid (que conseguiria 22 lugares), mas de o partido Unidade Nacional, de Benny Gantz, que conseguiria atingir os 23 lugares (tem atualmente 12).

O restante da distribuição dos partidos permaneceria semelhante ao do atual Knesset – conhecido pela enorme pulverização, patrocinada pelo facto de o sistema eleitoral ter por base apneas um círculo nacional. A conjunto Sionismo Religioso-Otzma Yehudit receberia 11 ou 12 lugares (abaixo dos atuais 14).

As sondagens indicam ainda que os Trabalhistas e o Meretz (de esquerda) também veriam a sua votação melhorar fortemente.

Juntos, os partidos da atual coligação – Likud, Shas, Judaísmo Unido da Torá e Sionismo Religioso-Otzma Yehudit – receberiam apenas 53 ou 54 lugares, deixando-a longe de formar um grupo que conseguisse os 61 lugares necessários para formar governo.

Ao contrário, os partidos de oposição (Yesh Atid, Unidade Nacional, Trabalhista, Meretz, Yisrael Beytenu e Ra’am) – todos membros do anterior governo – seriam potencialmente capazes de formar uma coligação de 61 ou 62 lugares.

Para os analistas, a acrescentar ao caos que tomou as ruas das grandes cidades israelitas, a sondagem é um poderoso incentivo para que a oposição comece a ‘trabalhar’ para fazer cair o governo.

A sondagem pedia também aos entrevistados que escolhessem entre Netanyahu e Lapid para liderar o país. O resultado foi de 31% e 32%, respetivamente. Se o ‘confronto’ fosse entre Gantz e Netanyahu, o ex-ministro da Defesa receberia 37% dos votos, face aos 30% do líder do Likud. A pergunta é particularmente importante em Israel, dado que há muito que Netanyahu defende que as eleições gerais deveriam escolher o primeiro-ministro (os nomes dos candidatos viriam inscritos nos boletins de voto) e não os partidos que mais tarde, no Knesset, procedem à sua escolha. O atual primeiro-ministro foi sempre de opinião que este sistema lhe concederia vitórias muito mais fáceis.

A sondagem do Canal 12 mostra que 63% dos entrevistados – incluindo 60% dos eleitores do Likud – apoiam a suspensão da atual legislação de revisão judicial, em comparação com 24% que se opõem à pausa. Que é (mais ou menos) o mesmo que dizer que 63% dos eleitores não apoia as leis que estão em debate no Knesset mas cuja votação foi suspensa devido ao clime de pré-guerra civil que alastra no país.

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