Loulé, “agitar antes de usar”. A frase poderia aplicar-se a líquidos e recipientes com conteúdo que carece de “agitação”, aqui no sentido de abanar, sacudir. É precisamente isso que o Festival Contrapeso quer fazer nesta cidade algarvia na sua 2ª edição, de 1 a 4 de dezembro.
Os artistas convidados trazem, assim, a sua “agitação” de geografias tão diversas como França, Austrália, Suécia, Noruega, Chile e Coreia do Sul, sem esquecer Portugal, para propor ao público incursões diversas pelo teatro e o jazz sob o tema “From Paris With Love”. Homenagem que os diretores artísticos do Contrapeso, Carolina Santos e Marco Martins, querem prestar a artistas – e espetáculos – com quem se cruzaram quando viviam em Paris, e que, de algum modo, os influenciaram ou inspiraram.
A abertura do Festival, no dia 1 de dezembro, está a cargo da companhia britânica The Latebloomers, que apresenta “Scotland!“, em estreia nacional. Trata-se de um espetáculo de comédia física para toda a família, premiado nos festivais Fringe de Perth, Adelaide, Praga e Paris. À noite, o pianista franco-grego Antoine Karacostas, apresenta-se em quarteto no Solar da Música Nova, o espaço destinado à programação musical do festival.
O australiano Sam Dugmore assume, no dia seguinte, o papel de maior herói de ação de todos os tempos em “Manbo” na Casa da Mákina e, mais tarde, o guitarrista francês Florent Souchet apresenta-se em trio com Anders Ulrich no contrabaixo e Guilhem Flouzat na bateria, para um concerto de composições intransigentes, onde a linguagem nuclear do jazz se alia a uma constante busca por novas sonoridades.
A comédia física sobre um velho solitário e um cão “sem-abrigo” que se tornam amigos e decidem entrar no mundo das danças de salão, intitulada “Strictly Come Barking” e protagonizada pelos comediantes Jonathan Tilley e Oliver Nilsson, estreia-se na Casa da Mákina no dia 3 de dezembro. À noite, no Cineteatro Louletano, a aclamada companhia Plexus Polaire, que na sua última passagem por Portugal, no âmbito do Fimfa LX21, esgotou o Teatro Nacional D. Maria II com “Moby Dick”, apresenta o espetáculo “Dracula – Lucy’s Dream”, em estreia nacional, através de marionetas de tamanho humano e a dupla presença do ator-marionetista.
O Festival Contrapeso fecha a sua programação no dia 4 de dezembro com o concerto do baixista e compositor Marco Martins, “Roadbook Revisited”, um projeto que percorreu vários clubes, festivais e auditórios em França, Espanha e Portugal e que agora volta a reunir-se com grande parte do coletivo original.
Paralelamente, decorre na Casa do Meio-Dia, a exposição “Arquivo Samotrácias”, uma visão documental do fotógrafo e videasta João Catarino sobre a temática da migração no feminino, composto por instalações multimédia. Tal como está previsto um workshop de comédia física, orientado pela companhia The Latebloomers, onde serão explorados vários exercícios de teatro desenvolvidos na École International de Jacques Lecoq, em Paris.
De destacar ainda o ensaio aberto, dirigido a estudantes do Conservatório de Música de Loulé, no qual serão abordados processos de improvisação e interpretação dos temas do álbum “Roadbook” de Marco Martins, no baixo, que será acompanhado por Leon Baldesberger no trompete, Pierre Bernier no saxofone, Simon Bernier na bateria, e Florent Souchet na guitarra.
O Festival Contrapeso é uma iniciativa da companhia Mákina de Cena e realiza-se em vários espaços de Loulé, do Cineteatro Louletano, Casa da Cultura de Loulé, Casa do Meio-Dia e Casa da Mákina, ao Auditório do Solar da Música Nova.