A Europa está em declínio e em poucos anos pode perder a posição hegemónica no mundo que foi construída ao longo de séculos. Está a ficar para trás em crescimento económico e a perder relevância nas grandes mesas de negociação globais como a do plano de paz na Ucrânia, onde desempenha um papel marginal. Incapaz de impor uma solução para a guerra no seu próprio continente, não possui praticamente nenhuma voz ativa nas principais questões geopolíticas globais. No plano económico, há 15 anos a economia da UE era 15% superior à dos EUA e agora é 25% mais pequena. Os desafios económicos são óbvios. A Europa enfrenta um fosso cada vez maior no PIB , devido a um défice de inovação e crescimento mais lento da produtividade.
Consciente deste atraso, em 2023, a Comissão fez um pedido especial a Mario Draghi — o homem que comandou o Banco Central Europeu por quase toda a década passada que passou um ano a escrever um relatório especial com recomendações de como manter a Europa relevante e competitiva num mundo cada vez mais turbulento. O tempo é de agir, disse Draghi em 2024, ou encaramos a lenta agonia do declínio. O temor é que toda a prosperidade conquistada ao longo de séculos está ameaçada se o dinamismo económico europeu não for recuperado. Um ano após o histórico relatório de competitividade, que apelava a uma “mudança radical” para não ficar atrás dos EUA e da China, esta ilusão evaporou-se. Ficou no bolso a receita de menos regulamentação e mais coordenação entre os Estados-membros. Menos barreiras dentro do mercado único, mais projetos de investimento conjuntos e uma maior integração dos mercados de capitais. Apontaram-se baterias para a energia e o despertar estratégico para sair do “guarda-chuva” militar americano, expresso no aumento dos investimentos maciços necessários para rearmar a Europa. Talvez consciente da sua negligência com sua própria defesa por muito tempo.
Para que a Europa possa prosperar, o bloco precisa de ter em conta os avisos de Draghi. Paradoxalmente, os choques que enfrentou em 2025, marcado pela incerteza derivada das tarifas e da desaceleração global, podem também originar um foco conjunto que conduza à ação.
O tempo de decidir é agora. O destino da Europa tem de ser forjado pelos seus povos e seus líderes. Tem de acordar e decidir se deseja ser um ator global forte. A inação pode ser fatal. Como avisou a economista-chefe do BERD: “Se não seguirmos em frente, caímos da bicicleta”.