Há mais de cinco anos e cerca de três centenas de textos publicados, que procuro, na minha Tribuna Social, refletir sobre temas da atualidade económica, financeira, política e social. Tempos em que os acontecimentos se sucedem a um ritmo vertiginoso e – Meu Deus, o tanto que aconteceu durante este período! – em que tento fugir da espuma dos dias e concentrar-me nos problemas e nas oportunidades reais.
A aventura libertadora e estimulante que é escrever, é uma missão que só nos realiza, quando conseguimos partilhar com quem admiramos, os nossos leitores, os portugueses. É uma tarefa exigente, pois na escrita estamos “presos” no futuro ao que pensamos no presente. Num Portugal onde os acontecimentos se sucedem a um ritmo galopante, a pergunta que sempre faço, ao iniciar as minhas reflexões assentes nos caminhos que temos de percorrer, continua a ser “E agora, Portugal?”
Neste momento marcante da visita do Papa Francisco a Portugal, no âmbito das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), Portugal demonstra bem a sua essência de um povo com fé e esperança no futuro, na busca de paz social. Nem de propósito, já o Papa Francisco e acerca da condução de políticas públicas, dissertou que “A boa política está ao serviço da paz”, refletindo sobre as ‘virtudes’ e os ‘vícios’ da política, que atualmente retiram credibilidade aos sistemas dentro dos quais ela se realiza, bem como à autoridade, às decisões e à ação das pessoas que se lhe dedicam.
Não posso estar mais de acordo com as palavras do Papa Francisco, sobretudo quando este refere que “a paz não pode jamais reduzir-se ao mero equilíbrio das forças e do medo”. O mesmo é dizer que os políticos não podem alimentar o discurso do medo.
Têm, sim, de agir e combater a corrupção – nas suas múltiplas formas de apropriação indevida dos bens públicos ou de instrumentalização das pessoas –, a negação do direito, a justificação do poder pela força ou com o pretexto arbitrário da “razão de Estado”, a tendência a perpetuar-se no poder, a xenofobia e o racismo, a recusa a cuidar do planeta, a exploração ilimitada dos recursos naturais em razão do lucro imediato, a exclusão social, etc.
Mas, na realidade, somos um povo com esperança e resiliência, e vamos continuar a lutar pela nossa sobrevivência coletiva, pela economia e pelo Portugal que faz bem, luta, empreende, que não se conforma mas que precisa que a classe política os acompanhe nessa imperiosa missão e desígnio nacional.
A política e os políticos não podem viver alheados destes valores de paz social. Obrigado JMJ e Papa Francisco por estimularem os caminhos de Portugal.