“É o momento certo para investir”: Sauditas chamam PME portuguesas

Presidente do Conselho Empresarial Saudita–Português diz ao JE que o país “tem muitas oportunidades para o empreendedorismo” e destaca a presença da Mota-Engil e Sonae Sierra.

“É o momento certo para investir”: Sauditas chamam PME portuguesas
Árabes investimento

O convite está feito e surge através da principal figura de ligação entre empresas sauditas e portuguesas. “Este é o momento certo para as pequenas e médias empresas e empreendedores virem investir na Arábia Saudita”, diz ao Jornal Económico (JE), Alwalid Albaltan, presidente do Conselho Empresarial Saudita–Português, à margem da visita oficial a Portugal, que decorreu entre os dias 22 e 25 de setembro.

“Vemos Portugal como uma das capitais mundiais das PME e consideramos que é uma forma estratégica de crescer como parte da nossa Visão 2030”, afirma, salientando que o outro caminho passa por aumentar o turismo na Arábia Saudita, algo que pode ser feito por via do desporto.

“Com Portugal a organizar o Mundial de futebol em 2030 e nós em 2034, acho que haverá muitas oportunidades de investimento no turismo entre os dois países”, refere Alwalid Albaltan, cujas estimativas apontam para 150 milhões de turistas por ano em 2030.

Por isso, considera que “será muito importante” existirem voos diretos entre Portugal e a Arábia Saudita. “Iriam colocar o turismo como investimento número um. Os voos diretos duplicariam os números do setor privado e seria muito importante para aumentar a economia e o investimento neste setor para ambos os países”, afirma.

CR7 ajudou a divulgar a Arábia Saudita
Quem tem contribuído para promover o país em Portugal tem sido Cristiano Ronaldo, que chegou ao Al-Nassr no final de 2022 e com quem renovou recentemente o seu contrato até 2027.

“Muitos empresários portugueses não sabiam nada sobre a Arábia Saudita e desde que o Cristiano veio para cá passou a haver um maior conhecimento. Agora, muitos empresários portugueses sabem o que a Arábia Saudita está a fazer, para onde vai e quais são os seus planos de investimento”, diz Alwalid Albaltan.

Outra das bases de investimento da Visão 2030 saudita é o segmento da construção, nomeadamente do novo aeroporto internacional Rei Salman, em Riade, e que deverá envolver um investimento de 25 mil milhões de euros.

“Acho que é uma oportunidade para o setor privado investir na construção na Arábia Saudita e integrar a nossa Visão 2030”, sublinha, realçando a presença de construtoras nacionais como a Mota-Engil e a Casais, mas também da promotora imobiliária Sonae Sierra.

TAP e aeroporto? “Olhamos para todas as oportunidades”
A construção do novo aeroporto de Lisboa e a privatização da TAP são dois temas que marcam a agenda nacional e que também captam a atenção internacional, nomeadamente dos sauditas, mas ainda é preciso criar bases de entendimento.

No caso da companhia aérea, Alwalid Albaltan sublinha que só pode falar do setor privado e dos investidores da Arábia Saudita, mas que “olhamos para todas as oportunidades e procuramos investir em Portugal, mas não temos a acessibilidade certa para este tipo de projetos, para então podermos decidir se vamos investir ou não”, afirma.

No entanto, o presidente do Conselho Empresarial Saudita-Português não tem dúvidas de que uma vez que os investidores tenham o método e o processo certo para aceder a este tipo de investimento, “confie em mim, iremos ver muitos investidores da Arábia Saudita a investir em Portugal”.

Alwalid Albaltan rejeita que essas dificuldades estejam relacionadas com questões culturais, até porque considera que a cultura é muito semelhante entre dois países, que mantêm uma boa amizade.

“É uma nova relação no setor privado entre os dois países que precisa de tempo e da infraestrutura certa para fazer crescer e desenvolver essa relação, para que, no futuro, tudo funcione sem problemas. Estamos a começar a dar os primeiros passos. Para mim é algo natural, não vejo nenhum problema”, salienta.

A construção e localização do novo aeroporto de Lisboa é algo com que Portugal lida desde o longínquo ano de 1972. Um processo com o qual Alwalid Albaltan está familiarizado, mas que não vê como um problema para quem deseja investir.

“Acho que há muitas empresas de capital de risco e do setor privado na Arábia Saudita que poderiam estar verdadeiramente interessadas neste tipo de projetos enquanto investidores”, conclui.

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