Diretora do FMI urge França a “arrumar a casa” perante subida dos juros soberanos

Kristinalina Georgieva teve palavras fortes para Paris, pedindo aos líderes franceses que controlem a trajetória das finanças públicas sob pena de os mercados castigarem ainda mais a má performance orçamental do país. Ainda assim, a situação é menos preocupante do que em 2010.

Diretora do FMI urge França a “arrumar a casa” perante subida dos juros soberanos
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Mais um aviso para a economia francesa, desta feita pela diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI): arrumem a casa. Kristalina Georgieva teve palavras duras para a segunda maior economia do bloco europeu, urgindo aos líderes gauleses que tomem controlo da despesa numa altura em que a tensão social volta a estar em destaque.

Em entrevista à CNBC esta quarta-feira, Kristalina Georgieva reforçou a necessidade de Paris controlar a despesa e a trajetória das suas finanças públicas, acusando os sucessivos governos de deixarem a dívida acumular a um ritmo insustentável e de não procurarem os consensos políticos que permitissem reverter esta tendência.

“O que vemos em França é, por um lado, a consequência de contrair dívida choque após choque após choque, de trepar esta escada que não leva ao paraíso, e, por outro, uma dinâmica política que torna mais difícil o ministro das Finanças definir um caminho claro para o aperto”, afirmou.

Como tal, a prioridade é clara: “arrumem a vossa casa”.

França está atualmente sob a alçada de Bruxelas, que abriu um procedimento por défice excessivo face aos descalabros orçamentais sucessivos. No ano passado, o défice chegou a 5,1% do PIB, bem acima dos 3% de referencial definido pela Comissão como máximo para o indicador, e a discussão orçamental deste ano não augura melhorias significativas na trajetória das contas públicas.

O orçamento debatido desde a semana passada reduz a despesa, mas significaria ainda um saldo negativo de 5%, segundo as estimativas dos economistas.

Ainda assim, Georgieva ressalvou que a situação atual é menos preocupante do que a que se vivia entre 2010 e 2012, aquando da crise das dívidas soberanas europeias.

A diretora-geral do FMI argumentou que “o mercado obrigacionista responde a princípios fundamentais e estes alteraram-se”, dada a trajetória orçamental dos países ocidentais. “A inflação subiu, as taxas de juro subiram, a dívida pública subiu”, pelo que “o mercado procura sinais de que o endividamento dos governos vai travar e estamos a encorajar os governos a fazer isso”.

Os juros da dívida francesa a dez anos aproximaram-se de 5% na semana anterior, tocando níveis não vistos desde a crise financeira, tendo recuado entretanto. Ainda assim, permanecem próximos destes valores.

“A economia francesa está a crescer”, apontou como sinal positivo. Por outro lado, “temos um sistema [financeiro] muito mais maturo na Europa”, o que protege contra contágios e riscos sistémicos. E há “outros instrumentos que a Europa desenvolveu para proteger contra riscos à estabilidade financeira”, como o Mecanismo Europeu de Estabilidade ou a ferramenta antifragmentação.

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