Supermercados Suécia, Bélgica e Luxemburgo afirmaram que a temperatura dos seus frigoríficos e congeladores em dezenas de lojas subiu durante a noite, levantando receios de um ataque cibernético semelhante ao que provocou milhões de euros em perdas de alimentos em França, noticia esta segunda-feira, 2, o jornal britânico “The Guardian”.
A cadeia sueca Coop disse ao diário “Aftonbladet” que seis das suas lojas foram afetadas, enquanto a ICA afirmou estar “ciente de que um número limitado de lojas foi afetado por um incidente durante a noite que impactou os seus sistemas de refrigeração e congelação”. A retalhista holandesa Ahold Delhaize, que no mês passado reportou um incidente de cibersegurança à polícia nos Países Baixos, disse que um “incidente informático” afetou frigoríficos e congeladores em dezenas dos seus supermercados na Bélgica e no Luxemburgo.
Uma porta-voz da empresa, Sarah De Meester, afirmou que a cadeia de supermercados confirmou que a temperatura nos sistemas de refrigeração subiu, acrescentando que o incidente está a ser investigado.
O jornal belga “Le Soir“ noticiou que dezenas de lojas e supermercados foram afetados, incluindo cinco superfícies da Spar, várias lojas de conveniência Shop & Go junto a postos de combustível da Q8 e alguns minimercados Proxy Delhaize de menor dimensão.
“Começámos a mobilizar técnicos à 1h da manhã”, disse ao jornal Stephan Moelans, diretor-executivo da Sabcobel, empresa especializada na instalação de sistemas de refrigeração. “Passámos a noite e a manhã inteiras a desligar da rede as instalações afetadas.”
De acordo com o “The Guardian”, a polícia francesa afirmou em outubro que ciberpiratas assumiram o controlo de unidades de refrigeração em cerca de 700 supermercados, num ataque em grande escala que provocou pesadas perdas de alimentos frescos e congelados e sublinhou a vulnerabilidade dos sistemas ligados à Internet.
Os ciberpiratas alteraram remotamente as configurações de milhares de congeladores, frigoríficos e arcas de refrigeração, fazendo subir as temperaturas de níveis tão baixos como -27 °C para bem acima dos 50 °C. As cadeias Intermarché, Coopérative U, Carrefour, Leclerc e Monoprix estiveram entre as afetadas.
As lojas tiveram de descartar grandes quantidades de carne fresca, laticínios e produtos congelados, com muitas a sofrerem prejuízos entre dezenas de milhares de euros e mais de 130 000 euros. Duas lojas na Alsácia reportaram um prejuízo acumulado de 270 000 euros.
A maioria das seções de frio dos supermercados está ligada à Internet para permitir a manutenção remota e alertas de falhas no sistema. No ataque em França, os ciberpiratas piratearam controladores fornecidos, maioritariamente, pela empresa dinamarquesa Danfoss.
Os ciberpiratas desativaram os sistemas de alarme antes de ajustarem os termóstatos ou de prolongarem o programa de descongelação por várias horas. A Danfoss afirmou ter identificado falhas de segurança no ano passado e disse ter «recomendado há muito» que os clientes instalassem as atualizações.