Concentrado de Van Gogh

O Museu Kröller-Müller, nos Países Baixos, reúne pela primeira vez, numa única exposição, as 88 pinturas de Van Gogh que integram o seu acervo. Uma exposição arrojada em torno da fé, esperança e amor.

Concentrado de Van Gogh
Duas das 88 obras expostas: “Terrace of a Café at Night” e “Country Road in Provence by Night”

Uma viagem no tempo. Estamos em Isleworth, Inglaterra. Vincent van Gogh tem 23 anos quando apresenta o seu primeiro sermão em inglês, lembrando que somos peregrinos e que a nossa vida é uma longa caminhada, uma jornada entre a terra e o céu. Foi num domingo. Mais concretamente a 29 de outubro de 1876, na Igreja Metodista Wesleyan, em Richmond. Mais tarde transcreveu o sermão numa carta que enviou ao seu irmão Theo – cinco páginas com sucessivas referências ao conto alegórico que John Bunyan escreveu em 1678, “The Pilgrim’s Progress”.

A história de Vincent van Gogh poderá ser resumida assim: trabalhou na Goupil & Co., passou por um período de fervor religioso e, aos 27 anos, tornou-se pintor.

Mas porquê esta introdução? Porque a nova exposição “Van Gogh, All Our Paintings” (Todas as Nossas Pinturas), patente no Museu Kröller-Müller, em Otterlo, até 3 de janeiro de 2027, ambiciona responder a esse percurso. Como? Colocando a tónica na trilogia fé, esperança e amor – as virtudes teológicas que Vincent cita no seu sermão inicial: “Fé, Esperança e Caridade”. Ponto de partida e de inspiração desta exposição nos países Baixos, com curadoria de Renske Cohen Tervaert.

É a primeira vez, desde 1984, que as 88 pinturas da coleção do Museu são reunidas para o público poder fruir daquela que é segunda maior coleção mundial de obras do artista holandês, reunida pela fundadora do Museu, Helene Kröller-Müller. Uma oportunidade rara, uma vez que, habitualmente, nunca estão mais de quatro dezenas em exposição.
A explicação é simples. Como o museu tem uma forte componente de investigação, muitas vezes as obras de Van Gogh ora estão a ser estudadas, ora a ser objeto de restauro. A somar a uma terceira razão, os empréstimos, visto que as obras do acervo estão muitas vezes expostas em instituições de todo o mundo.

Pode dizer-se que é uma oportunidade única para sentir de perto 88 obras de Van Gogh, naquele que é um dos melhores museus dos Países Baixos, localizado em pleno Parque Nacional De Hoge Veluwe, na província de Gelderland, a cerca de 95 Km de Amesterdão. E antes que se iniciem as obras de requalificação do edifício e a construção de uma nova extensão do museu, que deverá arrancar em 2028. Um projeto com a assinatura do arquiteto japonês Tadao Ando, que a MVSA Architects irá desenvolver em colaboração com o Ando Studio.

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