Bolsa de Valores de Moçambique vai ter primeira empresa público-privada cotada

Segundo a BVM, a operação, prevista para quarta-feira, representa um momento histórico para o mercado de capitais moçambicano, ao assinalar a entrada da primeira PPP na bolsa.

Bolsa de Valores de Moçambique vai ter primeira empresa público-privada cotada
Mocambique

A MECTS, responsável pelo Sistema Eletrónico de Selagem e Rastreio de Carga em Trânsito, vai tornar-se esta semana na primeira empresa de Parceria Público-Privada (PPP) cotada na Bolsa de Valores de Moçambique (BVM), anunciou esta segunda-feira, 12 de outubro, a instituição.

Segundo a BVM, a operação, prevista para quarta-feira, representa um momento histórico para o mercado de capitais moçambicano, ao assinalar a entrada da primeira PPP na bolsa.

Em comunicado, a instituição refere que esta admissão “representa um momento importante para o mercado de capitais moçambicano, ao assinalar a entrada da primeira Parceria Público-Privada na BVM” e evidencia “o papel da Bolsa na aproximação das empresas ao mercado de capitais, na diversificação das alternativas de financiamento e no desenvolvimento da economia nacional”.

A MECTS S.A. é uma empresa tecnológica responsável pela operação do Sistema Eletrónico de Selagem e Rastreio de Carga em Trânsito (SEERC) e dedica-se também ao desenvolvimento, implementação e operação de sistemas digitais destinados à modernização de processos institucionais e empresariais.

Entre as soluções operadas pela empresa destaca-se o sistema de monitorização eletrónica de mercadorias em trânsito, implementado em parceria com a Autoridade Tributária de Moçambique.

A empresa, de origem moçambicana, descreve-se como de base digital e “dedicada ao desenho, desenvolvimento, implementação e operacionalização de sistemas tecnológicos e informáticos, voltados para a modernização e eficiência de processos institucionais e empresariais”.

A admissão à cotação bolsista, que já conta com outras 16 empresas distribuídas por dois níveis de mercado, será assinalada numa cerimónia em Maputo que contará com a presença do Presidente da República, Daniel Chapo, bem como de representantes do Governo, do setor financeiro, do empresariado, de operadores do mercado de capitais e de parceiros institucionais.

O pedido de admissão à cotação foi submetido à bolsa em junho deste ano, depois de a empresa ter registado as suas ações na Central de Valores Mobiliários, num processo enquadrado pela legislação das parcerias público-privadas e concessões empresariais.

A legislação moçambicana das PPP prevê mecanismos de participação de investidores nacionais no capital destas empresas através do mercado bolsista, após um determinado período de exploração dos projetos.

A entrada em bolsa acontece numa altura em que a empresa apresenta um crescimento das receitas entregues ao Estado. Dados do Ministério das Finanças mostram que as receitas provenientes da concessão da MECTS aumentaram 155,6% no primeiro semestre de 2026, atingindo 49 milhões de meticais (650 mil euros), contrariando a tendência geral das restantes concessões.

No mesmo período, as receitas totais do Estado provenientes de concessões recuaram 62,6%, para 1.184,3 milhões de meticais (15,7 milhões de euros), segundo o relatório de execução orçamental do primeiro semestre.

A operação surge igualmente num momento de expansão do mercado de capitais moçambicano. Dados do Banco de Moçambique indicam que a capitalização bolsista cresceu 5% em 2025, para 221,9 mil milhões de meticais (3,07 mil milhões de euros), passando a representar 30,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

No plano estratégico para 2024-2028, a administração da Bolsa de Valores de Moçambique definiu como meta aumentar o número de empresas cotadas de 16 para 30 até 2028 e elevar a capitalização bolsista para 35% do PIB, reforçando o papel do mercado de capitais no financiamento da economia nacional.

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