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A startup portuguesa Granter, que utiliza inteligência artificial para facilitar o acesso a fundos europeus, angariou 1,6 milhões de euros numa ronda liderada pela 3XP Global, anunciou a empresa nesta segunda-feira.

A operação foi conduzida através do Impact Innovation Fund da 3XP Global, no âmbito do Programa de Venture Capital do Fundo de Capitalização e Resiliência (FdCR), gerido pelo Banco Português de Fomento. Participaram também a Celtis Venture Partners, a Gateway Ventures (com investidores da Áustria e Alemanha), a norte-americana Deel e o investidor Bracken Darrell, atual CEO da VF Corporation e antigo CEO da Logitech.

O capital permitirá à Granter mais do que duplicar a equipa até ao final do ano e acelerar a expansão. Portugal continua a ser o principal mercado, mas a empresa prepara entrada em Espanha, Alemanha e Itália, onde já tem investidores e contactos comerciais. Os Estados Unidos são uma prioridade a médio prazo.

A Granter venceu a competição de startups PITCH da Web Summit em novembro de 2025. Desde então, apoiou mais de 140 empresas na candidatura a mais de 30 milhões de euros em financiamento. Entre os clientes contam-se a ANA Aeroportos, MC Sonae, Galp, Marinha Portuguesa e Fidelidade. A startup tem como foco principal apoiar PME e startups.

“A escolha do Impact Innovation Fund da 3XP Global como lead investor foi natural. Tal como nós, eles acreditam que o financiamento de empresas é uma peça essencial para se criar verdadeiro impacto sistémico e que esse processo está fundamentalmente quebrado”, afirmou Bernardo Seixas, CEO e cofundador da Granter.

Rita Branco, board member da 3XP Global, considerou que a empresa “encaixa na perfeição” no perfil procurado pelo fundo, ao facilitar o acesso a fundos europeus para projetos de inovação, transição energética e desenvolvimento social.

Em paralelo, a Granter relança o produto AI Grant Consultant, agora com interface baseada em chat, que permite identificar oportunidades, preparar candidaturas e gerir projetos aprovados. A plataforma passa a oferecer um período de utilização gratuita.

Este investimento soma-se a 400 mil euros captados anteriormente junto da Techstars, Mission e AngelsWay, elevando o total de financiamento para 2 milhões de euros. A empresa foi fundada em 2023.

Quando a questão das autarquias foi assumida pública e politicamente pelo Presidente João Lourenço, considerei que estávamos perante um acto ousado e corajoso em termos políticos. Mas, já na altura, eu estava céptico quanto à possibilidade de estas serem implementadas, sem uma consciência clara dos riscos políticos e dos efeitos na ordem de poder dominante do MPLA. Esta ordem de poder pressupõe, desde logo, um processo de contenção da autonomia de vontade das elites no seio do MPLA. Neste microensaio, tentaremos demonstrar como a implementação das autarquias conferiria, em nosso entender, uma nova dinâmica de poder, com efeito directo na ordem de poder dominante do MPLA, constituindo-se como uma micro-transformação na ordem política angolana.

O MPLA e a legitimidade centralizada

O MPLA tem procurado assegurar uma legitimidade centralizada nos órgãos nacionais que são dominados pelas elites nacionais, impossibilitando, assim, um processo de autonomização e de afirmação da vontade das elites locais. Este controlo foi mantido mesmo depois da entrada em vigor da Lei Constitucional de 1992, na qual foi estabelecido um sistema de lista fechada e bloqueada que significa, na prática, que a composição e a ordenação das listas são decididas pela direcção nacional do partido. Em relação às candidaturas independentes nas presidenciais, estas não tiveram um efeito de mudança no MPLA, porque o Presidente José Eduardo dos Santos manteve-se como presidente do partido e, através deste, controlou as elites.

Com a entrada em vigor da Constituição de 2010, verificou-se, efectivamente, um recuo face ao modelo eleitoral presidencial de 1992, deixando de existir a possibilidade de apresentação de candidaturas independentes. Assim, os partidos passaram a determinar o processo de composição dos órgãos de soberania e a ser a fonte, por excelência, da legitimidade inicial de qualquer sujeito que almeja exercer uma função de representação política.

Estes representantes, depois de eleitos, participam na composição dos Tribunais Superiores, sobretudo através do Presidente da República, que passa a nomear os Juízes-presidente dos referidos tribunais, bem como os governadores que, posteriormente, nomeiam os administradores locais (municipais e comunais), os quais são, necessariamente, militantes e dirigentes das estruturas locais do MPLA. Existe, assim, uma sobreposição entre as estruturas do Estado e as do partido, o que demonstra que o partido está no centro da configuração da ordem de poder. Por isso, alguns cientistas políticos descrevem estarmos perante uma relação de partido-Estado.

As autarquias e a criação da legitimidade local

Se fossem implementadas as autarquias locais, haveria uma nova fonte de legitimidade que se traduziria no reforço político das elites locais, pelo que estas teriam uma vinculação directa com o seu eleitorado local. Este aspecto poderia reforçar o seu peso político no seio do partido e permitir-lhes-ia deixar de estar à mercê dos interesses das elites nacionais, podendo, ainda, passar a exigir um tratamento distinto no seio do partido, ou seja, mais cargos e outras posições na estrutura para assegurar a presença do partido a nível local. Caso contrário, poderiam, perfeitamente, constituir listas independentes e concorrer contra o seu antigo partido, gerando uma cisão a nível local e enfraquecendo, deste modo, o poder absoluto e centralizador do MPLA.

Avançar depressa e recuar devagar na implementação das autarquias

No último discurso sobre o “Estado da Nação”, no dia 14 de outubro de 2026, o Presidente João Lourenço considerou que a questão das autarquias mereceria um consenso amplo que envolvesse o MPLA e a UNITA, quando, na realidade, os diplomas em falta poderiam ser simplesmente aprovados apenas pelo MPLA, tal como a definição da forma de implementação das autarquias.

Este recuo político do Presidente da República poderá sugerir que a questão das autarquias está a ser encarada sobretudo como um desafio externo, ou seja, como uma disputa pelo poder entre o MPLA e a UNITA, negligenciando-se, por sua vez, os efeitos e o impacto interno no seio do MPLA, particularmente no que diz respeito ao reforço da autonomia e do espaço de actuação política das suas elites locais, susceptivel de gerar rupturas e dissensões no seio do partido.

As autarquias, depois de implementadas, gerarão, certamente, uma oportunidade política e efectiva para as elites locais, que poderão actuar de acordo com os seus interesses específicos e sem uma articulação obrigatória com o interesse nacional, sendo mesmo expectável que, em alguns momentos, haja alguma tensão e conflito de interesses.

As autarquias e a capacidade de adaptação do MPLA

A questão das autarquias não constitui um desafio externo nem resulta de uma imposição, mas, sim, de uma decisão do próprio MPLA, que parece não ter calculado devidamente os riscos que a sua implementação poderá representar para a ordem de poder dominante, historicamente assente na contenção da autonomia e da vontade política das suas elites. Trata-se, portanto, de uma ordem de poder estruturada numa lógica top-down, em que o líder determina, em larga medida, as regras e o curso do jogo político.

No entanto, as autarquias transportam consigo um vírus interno que poderá contaminar o corpo partidário e comprometer a sua capacidade de resistência, tornando-se, por isso, particularmente nefasto para a preservação da ordem de poder dominante, na medida em que poderá alterar a própria genética do poder no seio do MPLA. Seria, assim, prudente e avisado ponderar a adopção de um conjunto de mecanismos políticos e institucionais na configuração do poder local autárquico, tendo em consideração os seus possíveis efeitos na relação de poder entre as elites no seio do partido.

Se a TAP fosse vendida em 2024, mantendo tudo o resto constante, poderia valer mais do que em 2026? Não é uma questão de retórica! Eu acho que sim, e estou apenas a basear esta tese nas declarações do governo. O ministro das Finanças justifica o valor de venda da empresa através de um múltiplo do EBITDA, ou seja, atribuiu-lhe um valor correspondente a um determinado número de vezes os seus resultados operacionais.

Vejamos então. Em 2023 a TAP obteve um lucro recorde de 177 milhões de euros e em 2024 o lucro foi de 57 milhões de euros. Entre 2022 e 2025, acumulou 300,7 milhões de lucros. Mas, 2025 foi o ano de menor resultado líquido: 4,1 milhões. O ano 2025 foi mesmo o ano com menos resultados líquidos e menos EBITA, desde 2022. Os lucros caíram 94% e os resultados operacionais ficaram 15% piores em relação a 2024. Além disso, em 2025, a estrutura de custos da TAP deteriorou-se com um aumento de 7,9% dos custos com pessoal e o custo operacional por lugar-quilómetro subiu!

Em 2026, no primeiro trimestre, observou-se um aumento de 18,9% do custo com combustíveis, pressionando os resultados da empresa, em plena decisão da “operação Lufthansa”. Por outro lado, se olharmos para os múltiplos do setor gerado no mercado, a média em 2024 desse indicador é superior a 2025. Com este quadro, e assumindo que o processo de privatização poderia ser lançado no final de 2024, com os mesmos requisitos, e que os potenciais compradores já tinham, na altura, interesse na empresa, então, provavelmente, o valor da TAP seria maior do que em 2026.

Para que serve este exercício especulativo? Para muito pouco, apenas para desmascarar a absoluta desonestidade do governo, e em particular do ministro das finanças, que teve o desplante de dizer numa entrevista, no canal público de televisão, que o Plano de Reestruturação, desenhado, negociado e executado pelo governo do PS, pouco teve a ver com a valorização da TAP!

Se é verdade que perante as evidências tiveram de assumir o óbvio: sem a intervenção do PS e do Pedro Nuno Santos não teríamos TAP, nem negócio com Lufthansa, nem brilharete para o Governo. Mas, também é verdade, que o fizeram acabrunhados e procurando esconder a bondade e a coragem da decisão política de salvar a TAP em 2020. Como se essa manhosice já não fosse insuportável, ainda ensaiaram uma fantasia: o valor da TAP foi significativo porque introduziram mudanças na reestruturação (Sarmento até diz que fez outra reestruturação!). Segundo o MF foram estes berloques indecifráveis que adicionaram valor à TAP. Não foi a capacidade de gerar resultados, a dimensão operacional ou uma estrutura de custos enxuta na sequência da reestruturação. Foram os berloques decorativos do Sarmento que adicionaram valor à companhia. Um festival de propaganda pueril.

Todos nos lembramos das sucessivas declarações do PSD, do primeiro-ministro, do ministro das Infraestruturas, mas também do ministro das Finanças, entre outros, que tudo fizeram para destruir e afundar a reputação da empresa. Passaram das declarações inflamadas de “crime político e financeiro” para uma euforia desavergonhada, afirmando de boca cheia, com indisfarçável regozijo, do mesmo tamanho do desplante, o que sempre negaram e criticaram vergonhosa e ostensivamente. Acabaram, assim, a concluir com a “mesma cara de pau” que, afinal, os contribuintes podem mesmo recuperar a totalidade do financiamento. Extraordinário. Quem os viu e quem os vê!

Imagine que o seu telemóvel emite um alerta de emergência para terramoto. Talvez tenha alguns minutos ou apenas segundos antes dos tremores começarem. Talvez seja tempo suficiente para reunir a família e sair de casa. Mas certamente não será suficiente para salvar tudo o que construiu ao longo de uma vida. Para mais de 117 milhões de pessoas deslocadas à força, este cenário não é um exercício de imaginação. É a realidade.

Existe uma tendência para encarar este tema como um problema distante, restrito a determinadas regiões do mundo. Mas vivemos numa economia profundamente interdependente. As cadeias de abastecimento atravessam continentes, os mercados funcionam em rede e acontecimentos ocorridos a milhares de quilómetros influenciam preços, investimentos, cadeias logísticas, fluxos migratórios e níveis de confiança económica. Há muito tempo, o deslocamento forçado deixou de ser apenas uma questão humanitária. É também uma questão económica, social e de desenvolvimento.

É precisamente neste contexto que o envolvimento do setor privado assume uma importância crescente. As empresas operam hoje em ambientes globais e dependem de sociedades estáveis, resilientes e capazes de responder a desafios complexos. Consequentemente, contribuir para soluções duradouras para as populações deslocadas não é apenas uma questão de responsabilidade social.

É também uma forma de investir na estabilidade dos mercados, no fortalecimento das comunidades e na construção de economias mais robustas. Sobretudo, se tivermos em conta que cerca de 70% dos refugiados do mundo vivem em situação de deslocamento prolongado há pelo menos cinco anos (Global Trends Report 2025, ACNUR). São cinco anos num país que não é o seu, sem um lar permanente, sem perspetivas claras de regresso e, muitas vezes, sem acesso regular a oportunidades de educação, emprego ou integração.

Quando o deslocamento se prolonga durante tanto tempo, a resposta não pode limitar-se à assistência imediata. Exige acesso à educação, formação profissional, emprego, serviços essenciais e mecanismos que promovam autonomia e inclusão económica. E são várias a evidências que demonstram que, quando lhes são dadas oportunidades reais de integração, as pessoas refugiadas tornam-se participantes ativos das economias que as acolhem. Trabalham, empreendem, consomem, geram rendimento e criam valor. Entre elas encontramos profissionais de saúde, engenheiros, professores, agricultores, especialistas em tecnologia, comerciantes e estudantes. Pessoas cujas competências e experiência não desaparecem quando atravessam uma fronteira.

Num estudo recente sobre o impacto económico dos refugiados ucranianos, a Deloitte e o ACNUR concluíram que a sua integração contribuiu positivamente para a economia polaca, representando um impacto líquido estimado de 2,7% do PIB em 2024 (Poland: Analysis of the impact of refugees from Ukraine on the economy of Poland, 2ª Edição, 2025, Deloitte e ACNUR). O estudo demonstra ainda que políticas de inclusão, acesso ao mercado de trabalho e formação linguística podem ampliar esses benefícios, reforçando o contributo económico das populações deslocadas para os países de acolhimento.

Naturalmente, o acolhimento e a integração exigem investimento. Mas encará-los apenas como um custo é ignorar o potencial económico, social e humano que acompanha milhões de pessoas forçadas a abandonar os seus países. O verdadeiro desafio consiste em criar condições para que esse potencial possa ser desenvolvido e colocado ao serviço das comunidades onde estas pessoas reconstruirão as suas vidas.

É por isso que as parcerias entre organizações humanitárias, setor privado e setor público são hoje mais importantes do que nunca. Estas alianças permitem combinar recursos, conhecimento técnico, capacidade de inovação e experiência operacional para responder de forma mais eficaz a desafios cada vez mais complexos. Mais do que financiar respostas de emergência, tornam possível investir em soluções duradouras que beneficiam simultaneamente as pessoas deslocadas e as comunidades que as acolhem. No fundo, trata-se de compreender que a estabilidade, a prosperidade e o desenvolvimento dependem cada vez mais da forma como respondemos aos desafios que ultrapassam fronteiras.

O deslocamento forçado é uma das grandes questões do nosso tempo. Conflitos prolongados, fragilidade institucional, instabilidade política e fenómenos climáticos extremos continuarão a forçar milhões de pessoas a abandonar os seus lares nas próximas décadas. A questão já não é se estas crises continuarão a acontecer, mas antes como iremos responder-lhes. A sua escala e duração exigem uma visão de longo prazo e uma capacidade de mobilização coletiva à altura do desafio.

Num mundo cada vez mais interligado, apoiar soluções duradouras para as pessoas deslocadas não é apenas um imperativo humanitário. É um investimento no futuro coletivo que partilhamos.

Para saber mais sobre como tornar-se uma empresa parceira da Portugal com ACNUR, escreva para aliancas@pacnur.org

A cotação do barril de petróleo Brent para entrega em janeiro terminou hoje no mercado de futuros de Londres em queda de 7,63%, para os 104,77 dólares.

Depois de o prazo de referência do contrato do Intercontinental Exchange se ter alterado, ao passar de dezembro para janeiro, o crude do Mar do Norte, de referência na Europa, fechou as transações a cotar 8,66 dólares abaixo dos 113,43 com que encerrou as transações na sexta-feira.

A baixa do Brent foi atribuída ao otimismo dos investidores quanto a uma intensificação dos esforços diplomáticos entre EUA e Irão, depois de o vice-presidente norte-americano, J. D. Vance, enviar na semana passada uma carta ao secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Mohsen Rezaei, para retomar as negociações.

Durante o fim de semana, o Irão enviou uma carta ao Qatar, que está a intermediar os contactos entre EUA e Irão.

E hoje, Teerão garantiu que, se Washington aceitar as suas condições, pode começar a iniciar um plano para abertura do Estreito de Ormuz em dois dias e começar negociações “mais profundas” para o fim da guerra começada em 28 de fevereiro, com os ataques israelo-norte-americanos.

Entre as condições está o fim do conflito em todas as frentes regionais, incluindo o Líbano, o descongelamento dos seus ativos em terceiros países, o reconhecimento do controlo de Ormuz por Teerão e Mascate e o levantamento das sanções ao petróleo.

Porém, os investidores estão muito atentos às eleições nos EUA, que decorrem na terça-feira, dada a incerteza sobre se, passado o ato eleitoral, e em função do seu resultado, Washington vai optar por negociar uma solução diplomática com Teerão ou se, pelo contrário, recomeçar a bombardear o Irão.

A Apple® anunciou esta segunda-feira, 2 de novembro, os resultados financeiros do seu quarto trimestre fiscal de 2026, terminado a 26 de setembro de 2026. A empresa registou uma receita trimestral de 114,5 mil milhões de dólares (102,2 mil milhões de euros), um aumento de 12% em relação ao período homólogo.

De acordo com comunicado da marca norte-americana, a margem bruta da empresa situou-se nos 47,9%, “incluindo um impacto favorável de aproximadamente 1 ponto percentual resultante do reembolso de tarifas”. O lucro diluído por ação foi de 2,10 dólares (1,88 euros), um aumento de 14% em relação ao período homólogo, e incluiu um impacto favorável de 0,05 dólares (0,045 euros)proveniente do reembolso de tarifas.

De acordo com a “Reuters”, os resultados, que superaram as expetativas de Wall Street, foram impulsionados pela procura inicial do modelo iPhone 18 Pro e pelo aumentos de preços na maioria dos produtos da empresa californiana que ajudaram a compensar o impacto da subida dos custos dos chips de memória.”

(em atualização)