A Associação Zero não se mostra muito satisfeita com a nova proposta da Comissão Europeia em impedir a venda de carros novos a gasolina e gasóleo a partir de 2035. Para a organização, a proposta aprovada “torna difícil ou impossível manter o objetivo de neutralidade climática do bloco em 2025”, depois dos camiões não estarem incluídos na mesma.
“O objetivo da Comissão é o de uma redução de 90% do CO2 para os fabricantes até 2040, ao invés de 100% como tinha sido discutido anteriormente”, reclama. “Este novo objetivo proposto proporciona que, em teoria, os camiões de mercadoria a diesel ainda estejam na estrada dez anos mais tarde, em 2050”.
Para isso, a Zero pede aos eurodeputados e aos governos para anteciparem a data da neutralidade carbónica em dez ou 15 anos.
“A não fixação de um prazo para o fim da poluição por camiões é uma concessão aos fabricantes. Até 2035, praticamente todos os camiões elétricos novos serão mais baratos do que os a diesel, percorrendo as mesmas distâncias e transportando a mesma carga. Mas sem um prazo claro por parte da União Europeia, os camiões a diesel irão continuar a envenenar os nossos organismos e o planeta durante mais anos do que o necessário”, sustenta.
A Zero lembra que os fabricantes de camiões terão de reduzir as emissões de CO2 em apenas 45% até 2030, sendo que “o objetivo da UE para 2030 fica atrás dos planos dos próprios fabricantes de camiões”. A associação vai mais além e defende que os governos deviam impor uma redução de 65% até 2030, em linha com objetivos já apresentados pela Daimler Truck e Volvo Trucks.
Com a proposta a abranger os novos autocarros urbanos, a Zero indica que a extensão ao sector é positiva mas que deveria ser antecipada para 2027 “para assegurar que os fabricantes de veículos acompanhem a procura por autocarros limpos por parte das cidades”.
A organização sustenta que “as ambiciosas regras climáticas da UE estão a conduzir à eletrificação dos automóveis e são também necessárias no sector dos camiões”, sendo que “sem objetivos mais rigorosos a partir de 2030, haverá ainda um excesso de camiões a gasóleo poluentes nas nossas estradas durante décadas”.
Para a Zero, “a Europa corre igualmente o risco de negar a certeza do investimento na produção de baterias e no processamento de metais, conduzindo as empresas a uma fuga para os Estados Unidos da América, ao abrigo da mais favorável Lei de Redução da Inflação”