Vodafone Portugal concorre em “qualidade” e não em preços

O presidente executivo da Vodafone Portugal, Luís Lopes, falou esta quinta-feira sobre a entrada da Digi no mercado nacional de operadores de telecomunicações, referindo que a empresa não concorre em termos de preços baixos, mas sim de qualidade.

Vodafone Portugal concorre em “qualidade” e não em preços
Luís Lopes_CEO Vodafone Portugal

Em 1992 Portugal recebeu o primeiro operador de telecomunicações, a Telecel. Em 2001, este operador passou a ter outro nome, Vodafone. Passados 33 anos a marca que eternizou a frase ‘Together we can’, continua focada em conectar pessoas e empresas.

Durante um encontro com jornalistas, realizado esta quinta-feira, o presidente executivo da Vodafone Portugal, Luís Lopes, afirmou que a empresa concorre em “qualidade” e não em preços baixos.

O presidente executivo referiu ainda que a empresa está numa “posição muito atrativa” no país e num eventual cenário de consolidação no setor, sendo que no curto prazo “não é provável”, mas no longo prazo é “inevitável”, uma vez que considera que Portugal “não tem mercado, a longo prazo, para quatro operadores”, sublinhando que a maioria dos países têm apenas três operadores.

Sobre uma eventual compra da Digi, como a empresa tentou fazer há dois anos com a Nowo, Luís Lopes não se compromete, revelando apenas que a posição forte da empresa “coloca-a numa posição de potencial consolidador”.

A entrada da Digi em Portugal não afetou muito a empresa, uma vez que o número de clientes na Vodafone permaneceu igual desde a sua entrada. “Não posso dizer que o impacto que o novo entrante esteja a ter na Vodafone seja um impacto de fuga de clientes dramática”, revelou.

A empresa tem saído de alguns mercados, “quando acha que a perspetiva a longo prazo é negativa”, contudo o mercado português é, dentro da Europa o quarto mercado dentro do grupo Vodafone.

Luís Lopes revelou ainda que o setor das telecomunicações vai perder valor, que na sua perspetiva, pode chegar aos 5%. “Já representámos 3% do PIB, hoje representamos menos de 2%”, salientou.

Durante estes 33 anos a empresa teve pontos altos e pontos baixos, sendo o ciberataque, que sofreu em 2022 e o apagão dois pontos altos e baixos, uma vez que a empresa conseguiu “dar uma resposta, e repor coisas que achávamos que não íamos conseguir”.

Luís Lopes referiu que depois do apagão a empresa autorizou “um investimento, de milhões de euros, para o reforço da resiliência”, como a colocação de baterias e geradores em diversos locais.

Regulador tem uma visão muito restrita

O diretor executivo da Vodafone Portugal afirmou que o regulador português tem “falta de visão da indústria”. Luís Lopes destaca ainda a imprevisibilidade da regulação no que toca às licenças de espetro, cujo prazo de renovação é em 2028 e para o qual ainda não é claro qual o modelo a adotar.

Na sua opinião o espetro tem de ser renovado, “idealmente sem contrapartidas”, contudo se estas forem razoáveis para o setor podem ser assumidas.

“A Europa tem um problema estrutural”, sem operadores com escala suficiente para “fazer face aos desafios que outros operadores, nomeadamente em economias asiáticas e a norte-americana têm”, salienta.

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