Universidade de Coimbra distingue Artur Santos Silva

Artur Santos Silva fundou o BPI e foi secretário de Estado do Tesouro e vice-Governador do Banco de Portugal. É licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, que agora lhe atribui o grau de Doutor Honoris Causa. Cerimónia é dia 16 de outubro.

Universidade de Coimbra distingue Artur Santos Silva
Cristina Bernardo

Artur Santos Silva, jurista, com atividade desenvolvida em diversas áreas de relevância pública e social – da academia à banca, onde fundou o BPI – vai receber o grau de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Coimbra.

A proposta é da Faculdade de Direito. 

“Satisfaz, de forma inequívoca e exemplar, os requisitos de mérito, distinção e ligação institucional que legitimam e enobrecem a concessão do grau de Doutor Honoris Causa”, afirma, destacando a “vida, obra e serviço público” do fundador do banco BPI, “unanimemente reconhecido como figura de elevada distinção pública, exemplar nos planos da seriedade, integridade e sentido de responsabilidade cívica”.

Elogiando a “excecional capacidade de liderança” de Artur Santos Silva na Sociedade Portuguesa de Investimentos/ Banco Português de Investimento (BPI) – “instituição de que se tornou o principal artífice e símbolo ao longo de décadas” –, assim como a “forma igualmente assinalável” como se distinguiu “no plano cívico e cultural”, enquanto Presidente da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, membro do Conselho de Administração da Fundação de Serralves e Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, a Faculdade de Direito  ressalva também a sua “antiga, constante e institucionalmente significativa” ligação à Universidade de Coimbra, onde se formou e exerceu funções docentes.

“A sua ligação à Universidade e à Faculdade prolongou-se ao longo de décadas, sendo marcada por constante lealdade institucional, dedicação e apoio efetivo. Merece especial destaque o papel relevante que desempenhou no apoio decisivo do Presidente Jorge Sampaio ao projeto da nova Biblioteca da Faculdade de Direito, bem como o contributo material e institucional prestado, a partir de funções exercidas no BPI e na Fundação “la Caixa”, a diversos projetos da Universidade de Coimbra”, refere a proposta de atribuição do grau.

A Faculdade de Direito salienta ainda a “participação ativa” de Artur Santos Silva, nos órgãos de governo da Universidade de Coimbra, como membro da Assembleia Estatutária (2007–2008) e do Conselho Geral (2019-2012), ao qual presidiu “assegurando com elevado sentido institucional a consolidação do novo modelo de governação universitária”.

A cerimónia realiza-se dia 16 de outubro, a partir das 10h30, na Sala Grande dos Atos (Sala dos Capelos), e nela participam Pedro Costa Gonçalves, diretor da FDUC, como padrinho oficial, e António Avelãs Nune, professor catedrático jubilado, como Apresentante (ou padrinho não oficial). Jónatas Machado, docente da Faculdade, fará o elogio do candidato e Ana Raquel Moniz o elogio do Apresentante.

 

Atividade empresarial, política e cívica

Artur Eduardo Brochado dos Santos Silva, nascido a 22 de maio de 1941, licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e frequentou o Stanford Executive Program, na Stanford University (EUA). Foi assistente da Faculdade onde se formou e professor convidado da Universidade Católica do Porto, tendo integrado órgãos de governo de diferentes instituições de ensino superior e presidido ao Conselho Geral da Universidade de Coimbra (2009-2012) e da Universidade do Porto (2017-2021).

A sua longa carreira na banca iniciou-se em 1968, como diretor do Banco Português do Atlântico. Em 1981, fundou a Sociedade Portuguesa de Investimento, que deu origem ao BPI – do qual foi Presidente Executivo até 2004, Presidente do Conselho de Administração entre 2004 e 2017 e Presidente Honorário desde essa data. Foi também Secretário de Estado do Tesouro no VI Governo Provisório (1975/1976) e Vice-Governador do Banco de Portugal (1977/1978).

Desempenhou funções de gestão e administração em instituições como a Fundação Calouste Gulbenkian (2012-2017), a COTEC Portugal (2006-2009), a Fundação Casa da Música (2006-2012) e a Partex (2012-2017), entre muitas outras. Foi também Presidente para as Comemorações do Centenário da República (2008-2011) e Administrador não-executivo da Jerónimo Martins.

Recebeu distinções honoríficas como a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade e a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, tendo também sido condecorado como Chevalier de la Légion d’Honneur, em França.

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