“O Estado já demonstrou que não consegue gerir o território, não por incompetência, mas por incapacidade”, afirma ao Jornal Económico (JE) Nuno M. Pinto, Diretor de Inovação e Sustentabilidade da Unimadeiras. Acrescenta que se “deve olhar para quem conhece o território e que pode ser uma primeira linha de análise do que se vai passando lá, inclusive na prevenção de incêndios”. E nessa linha está a Unimadeiras, diz o responsável.
A empresa gere 96 mil hectares de território florestal espalhados por 172 concelhos – uma das maiores áreas do país. Recentemente, apresentou ao Ministério da Administração Interna (MAI) várias propostas para gestão de território, entre as quais a prevenção de incêndios rurais apoiada na dimensão da rede de proprietários. Mas também o acesso à vigilância florestal, no qual produtores e operadores credenciados possam circular em espaço florestal nos dias de perigo muito elevado ou máximo, algo que a lei hoje restringe. A valorização as áreas já geridas pela empresa, “sendo reconhecidas como território de demonstração de boas práticas” é sublinhada para valorizar a biomassa e tornar a prevenção ao longo do ano economicamente viável, explica. Avança ainda com a ideia de um programa piloto de parceria público-privada (PPP) em que a gestão florestal ativa “se torne rentável através da venda de madeira certificada e de créditos de carbono, abrangendo propriedade privada, terrenos do Estado ao abandono e baldios, com regras de governance”.
Aposta na biomassa
Em 2025, a Unimadeiras teve 585 mil euros de lucro; contudo o volume de negócios de 78,3 milhões de euros sofreu uma descida em relação a 2024, quando obteve 107,7 milhões de euros. “Foi um ano muito exigente em todos os sentidos, a indústria teve uma queda e tivemos que nos adequar”, justifica Nuno M. Pinto. E se grande parte do negócio da empresa está sustentado na indústria da pasta de papel, os últimos três anos têm trazido um crescimento paralelo no negócio em biomassa e pallets de madeira. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), Portugal tem na biomassa lenhosa uma base económica relevante para reforçar o seu papel na transição energética em 2025, as exportações de lenha, estilha, serradura, resíduos de madeira e aglomerados, incluindo pellets, atingiram 100,6 milhões de euros e 666 mil toneladas. Sendo que a UE absorveu 79,5 milhões de euros e cerca de 567 mil toneladas. “Estes números demonstram uma forte ligação ao mercado comunitário e sustentam que a biomassa pode afirmar-se como uma commodity estratégica para Portugal. Defendo que devemos complementar esta capacidade exportadora com maior valorização energética nacional, privilegiando resíduos e subprodutos de origem sustentável. É uma oportunidade para gerar riqueza no território, valorizar a gestão florestal e contribuir para reduzir a dependência de combustíveis fósseis”, conclui.