UE e China discutem divergências no relacionamento comum

O 24º encontro de alto nível entre os dois blocos serve para a UE se queixar de práticas de concorrência desleal por parte da China e para Pequim voltar a explicar que o seu sistema não igual ao do ocidente. Nem vai passar a ser.

UE e China discutem divergências no relacionamento comum
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A União Europeia está a tentar redirecionar a sua relação com a China num momento de movimentos estratégicos e alta tensão geopolítica. Nesse contexto, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho, Charles Michel, vão encontrar-se com o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim, esta quinta-feira, no primeiro encontro presencial desde 2019. A cimeira UE-China centra-se nas relações comerciais e naquilo que o bloco dos 27 considera serem práticas de concorrência desleal por parte da China.

Será a segunda viagem da chefe do executivo comunitário a Pequim este ano. A União está concentrada em ultrapassar o déficit comercial com a China – e parte do princípio que o antigo Império do Meio está a aplicar de forma camuflada restrições às importações provenientes da União Europeia ao mesmo tempo que subsidia as suas principais exportações. Os veículos elétricos chineses que entram no mercado europeu a preços imbatíveis ou o veto de Pequim à exportação de dois minerais fundamentais para o fabrico de microchips são dois temas sensíveis.

Que, dizem os analistas, não têm solução: as práticas económicas chinesas não estão alinhadas com as do ocidente. Convencer a China a optar por uma ótica mais liberal é uma impossibilidade total, que a União deve saber que não irá ultrapassar.

Von der Leyen deixou claro como quer que a relação da UE com o gigante asiático evolua: “eliminar riscos”, mas não “dissociar” é a estratégia que tem vindo a reiterar como princípio ao longo deste ano – uma espécie de resposta ao facto de, em 2022, o défice comercial com a China ter aumentado 100%, situação eu o bloco dos 27 classifica como insustentável.

O rápido crescimento de Pequim nas últimas décadas, a uma taxa anual média de 8%, deu lugar a uma desaceleração da economia pós-pandemia. Isto numa ótica de observação de quem está do lado de fora. De facto, o crescimento da China pode não atingir os 8%, mas continua a ser uns degraus acima do que se passa na União como um todo.

O risco de que a superprodução chinesa leve a uma queda drástica nos preços dos seus produtos torna a UE vigilante contra uma possível concorrência “desleal” de empresas chinesas, ou dito de outra forma: o dumping.

“Há espaço para a China ajustar sua superprodução”, dizem fontes da EU citadas pelos jornais, que consideram que não é “sustentável” que o gigante asiático continue esse caminho. Retirar subsídios, maior abertura ao mercado e outras práticas liberais fazem parte das ‘reivindicações’ que a união apresentará a Pequim.

A narrativa desta 24ª reunião de líderes China-União Europeia é um pouco diferente. Os jornais oficiais dizem que no encontro, Xi Jinping afirmou que “A China e a Europa têm sido duas das principais forças promotoras da multipolaridade, dos principais mercados que apoiam a globalização e das principais civilizações que defendem a diversidade”. OU seja, não parece haver uma necessidade de mudança do lado da China.

Xi Jinping assinalou que os dois lados devem aprender a partir da experiência histórica, seguir a tendência geral do mundo e aderir ao posicionamento correto da parceria estratégica abrangente. E afirmou esperar que China e UE consolidem a base política, adotem uma perspetiva estratégica para a compreensão mútua – que valorize a confiança recíproca e desenvolva relações claras, em vez de se considerarem como oponentes devido às diferenças dos seus sistemas. Além disso, as duas economias não devem reduzir o diálogo a questões de concorrência, nem envolverem-se em confrontos pelas divergências.

“As economias chinesa e europeia são altamente complementares, e ambas devem trabalhar mais para estreitar os laços da comunidade de interesses China-UE por via de uma cooperação mais profunda e ampla,” salientou o líder chinês.

Xi Jinping mencionou ainda a Iniciativa Cinturão e Rota – de que a Itália acaba de retirar-se – reiterando que serve como plataforma aberta cuja implementação já trouxe benefícios tangíveis a mais de 150 países. Ao ressaltar que tanto a modernização chinesa quanto a integração europeia são escolhas estratégicas voltadas ao futuro com base nas suas próprias realidades, o presidente chinês pontuou que o país está disposto a promover uma cooperação de alto nível no seu âmbito e alinhá-la a outros planos de desenvolvimento (como o Portal Global da União Europeia).

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