TotalEnergies quer produção de pepinos-do-mar em megaprojeto de gás moçambicano

A iniciativa integra um novo programa-piloto de desenvolvimento de pepinos-do-mar e valorização da zona entre-marés lançado pela TotalEnergies EP Mozambique Area 1 (TEPMA1), concessionária do megaprojeto de gás natural Mozambique LNG, segundo um convite à manifestação de interesse para implementação do projeto.

TotalEnergies quer produção de pepinos-do-mar em megaprojeto de gás moçambicano
TotalEnergies

A TotalEnergies pretende criar duas áreas-piloto de produção de pepinos-do-mar em Palma, Cabo Delgado, através de um programa para restaurar meios de subsistência e aumentar o rendimento de comunidades afetadas no norte de Moçambique.

A iniciativa integra um novo programa-piloto de desenvolvimento de pepinos-do-mar e valorização da zona entre-marés lançado pela TotalEnergies EP Mozambique Area 1 (TEPMA1), concessionária do megaprojeto de gás natural Mozambique LNG, segundo um convite à manifestação de interesse para implementação do projeto.

O projeto enquadra-se na Estratégia de Restauração dos Meios de Vida da empresa e pretende apoiar agregados familiares das comunidades de Quitunda, Maganja (Mfunzi) e Mondlane, no distrito de Palma, afetados pelas limitações de acesso a recursos marinhos decorrentes da implementação do projeto de gás natural na península de Afungi, extremo norte de Moçambique.

A iniciativa procura “restaurar e, sempre que possível, melhorar os meios de subsistência e as condições de vida dos coletores intertidais elegíveis”, apostando no desenvolvimento de uma atividade económica considerada sustentável e com potencial de gerar rendimento para as populações costeiras.

Segundo a documentação, uma das principais componentes do programa será o estabelecimento de duas áreas-piloto de produção de pepinos-do-mar, em locais que serão definidos no âmbito do projeto.

O pepino-do-mar é considerado um dos recursos marinhos de maior valor comercial na Ásia, podendo atingir preços de venda de mais de uma centena de dólares por quilograma após processamento, consoante a espécie e a qualidade.

No aviso, a empresa refere ainda que pretende implementar um processo participativo de teste, validação e adaptação de técnicas de produção adequadas às condições locais, incluindo a identificação e seleção das áreas de cultivo, procedimentos de povoamento, alimentação, mecanismos de proteção e segurança, bem como o desenvolvimento e fortalecimento das cadeias de valor associadas à atividade.

O programa prevê a capacitação técnica e prática dos produtores beneficiários e dos técnicos das instituições governamentais locais, com o objetivo de assegurar a sustentabilidade das intervenções e facilitar a sua futura replicação.

Além da produção de pepinos-do-mar, o plano contempla ações de valorização da zona entre-marés, através de testes participativos de utilização de substratos artificiais, conhecidos como “culch”, para aumentar a produtividade dessas áreas costeiras.

As atividades deverão incluir também a monitoria das áreas-piloto, a identificação de locais adequados para implementação das intervenções, formação complementar dos produtores e técnicos governamentais e a elaboração de um plano de longo prazo baseado nas lições retiradas da fase experimental.

Para concretizar o projeto, a TEPMA1 lançou um processo de manifestação de interesse, que decorre até 12 de novembro de 2026, destinado à pré-qualificação de empresas e organizações com experiência comprovada em atividades semelhantes e capacidade técnica para desenvolver os trabalhos previstos.

O lançamento deste programa surge poucas semanas depois de a concessionária ter anunciado outro projeto de desenvolvimento económico local associado ao Mozambique LNG, prevendo a instalação de uma unidade industrial para produzir 5.000 toneladas anuais de biodiesel de coco destinado às operações do empreendimento de gás.

Esse projeto integra igualmente a estratégia de desenvolvimento comunitário da TotalEnergies no norte de Cabo Delgado e prevê a criação de uma cadeia local de fornecimento baseada em pequenos produtores agrícolas da região de Palma.

O projeto Mozambique LNG, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares (17,4 mil milhões de euros), retomou oficialmente em janeiro deste ano, após quase quatro anos de suspensão devido à insegurança provocada pelos ataques armados em Cabo Delgado.

Segundo a TotalEnergies, o empreendimento encontra-se atualmente concluído em cerca de 50% e continua a avançar com o objetivo de iniciar a produção de gás natural liquefeito em 2029.

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