Quando os partidos moderados tratam o descontentamento como extremismo, entregam eleitorado a quem promete soluções simples. A resposta tem de ser a oposta.
Tal como previam alguns analistas, o congresso do Livre está a ser palco da manifestação pública de várias divergências. Depois da democracia interna – ou da falta dela – foi agora a vez da rede de autarcas do partido.
Os trabalhos do 17.º Congresso do Livre arrancaram com um minuto de silêncio pelas vítimas do acidente de terça-feira com um autocarro no terminal de Agualva-Cacém, em Sintra. Jorge Pinto, candidato à sua substituição, falou sobre o futuro da esquerda.
Recordando o episódio Spinumviva, é legítimo afirmar que a ética não parece ser uma prioridade nem para Luís Montenegro, nem para Hugo Soares. O que parece importar é a manutenção do poder, independentemente dos meios utilizados.
As revisões são um processo natural. O desconforto de alguns explica-se apenas pela consciência de que a próxima irá ao âmago dos entraves ao desenvolvimento.
Com os dois últimos atos eleitorais a resultarem de crises de ética e seriedade por parte dos protagonistas, instalou-se a lógica da sobrevivência política com foco no curto prazo.
Partidos políticos destacam o Papa como um "exemplo" a seguir e um "farol de esperança para milhões de católicos e não só". Presidente da República reservou uma declaração ao país, marcada para as 20 horas, para reagir à morte de Francisco.
O Chega é o franchise nacional da marca extremista, populista, soberanista e nacionalista, por vezes racista e fascista, com que temos de lidar para defender a democracia.
De acordo com Jorge Reis Novais, constitucionalista e professor da Faculdade de Direito de Lisboa, “o sistema partidário alterou-se profundamente com a chegada do Chega e com esta votação”.
Uma “aldeia” povoada por irredutíveis portugueses ainda resiste à polarização que varre a Europa. Só em Portugal temos partidos extremistas pró-sistema.
É preciso reconstruir uma estratégia para o país para a próxima década, e uma que não seja totalmente dependente da estratégia europeia. Portugal deve ter um plano próprio.
Para além de factoides isolados, não existe um verdadeiro diagnóstico da situação de partida, nem se discute a sociedade que queremos, ou como lá chegar.
Em “democracia não há espaços vazios”. Daí que muitos movimentos, tornados partidos e com representação parlamentar, sejam os herdeiros quase naturais de uma desestruturação do sistema.
Que condições se propõem os partidos criar para que os cidadãos possam aspirar a melhor qualidade de vida, melhores rendimentos e mais capacidade de tomarem decisões sobre o seu presente e futuro?
Por favor, surpreendam-nos e motivem-nos como se o 50º aniversário do 25 de Abril fosse um recomeçar virtuoso da nossa democracia e da afirmação das políticas, na sua saudável diversidade.