Ao sair do cinema depois de revisitar no ecrã a obra de que todos falam ultimamente, dei por mim a pensar: como é que uma história com quase três mil anos continua a prender-nos e a dominar as conversas do dia a dia?
O Museu Calouste Gulbenkian poderá ser mais discreto do que muitos outros museus europeus mais famosos, mas carrega consigo uma incrível história que atravessa as grandes convulsões da História europeia.
A sucessão em grupos familiares determina a sua sobrevivência, mas, ao mesmo tempo, fascina-nos porque mexe com uma dinastia e com o poderoso imaginário social associado – como numa monarquia quando é escolhido um novo rei ou uma nova rainha. Os maiores monarcas da História sabiam que criar riqueza ou conquistar território de nada valia sem um filho varão capaz de reforçar o legado da casa real – e foram sempre uma inspiração para empresas familiares.
Eis o testemunho de seis notáveis jovens sucessores – Tomás Jervell, Carlos Mota Santos, António Portela, Jorge de Mello, Ricardo Alves e Martim Guedes – e as razões porque resolveram continuar o legado da família.
Balsemão, o leão, agia por sentido de serviço e pela responsabilidade de “deixar o país melhor do que o encontrou”. As hienas, essas, movem-se por agendas pessoais, interesses obscuros e em nome do poder pelo poder.
A solução virtuosa é a gradual perceção do líder-ditador de que o seu negócio pode ser gerido com maior delegação, que os filhos devem ser preparados para a sucessão e que o seu poder, imagem e influência não são afetados pela evolução natural da empresa familiar que fundou.
Que legado quer a Igreja Católica transmitir aos jovens de todo o mundo, se continua a aceitar por parte das suas figuras uma ação discordante dos princípios que tanto apregoam?
Muitíssimo abastados numa era de embriaguez hedonista, os ricos novos despendem quantias astronómicas em bens efémeros ou em “experiências” que lhes garantam uma gratificação pessoal imediata.
Para garantir o sucesso da sucessão e preparação das gerações futuras, e superar o paradoxo da tradição e inovação, é essencial, entre outros, o debate sem preconceitos entre gerações, o planeamento estratégico das empresas e a formação dos futuros líderes.