Todos queremos ter acesso imediato a cuidados de saúde quando deles precisamos. Mas a melhor estratégia continua a ser precisar deles o menos possível.
As empresas gestoras de hospitais privados com fins lucrativos e de hospitais públicos em regime de parceria público-privada faturaram 2.790 milhões de euros em 2025, um aumento de 9,5% face ao ano anterior, segundo uma análise setorial da Informa D&B. O desempenho refletiu o aumento da utilização dos serviços hospitalares privados e a maior penetração dos seguros de saúde.
Cada vez mais portugueses recorrem aos hospitais privados, impulsionados pelo aumento dos seguros de saúde e por um acesso mais rápido aos cuidados. Ainda assim, o recurso do SNS ao setor privado diminuiu, apesar do aumento das listas de espera nas cirurgias.
O setor alerta que a falta de médicos, enfermeiros e outros profissionais é “um dos desafios mais críticos” enfrentados pelos sistemas de saúde na Europa. Por isso, pede políticas coordenadas para atrair, formar e manter profissionais qualificados, reconhecendo o papel de todos os prestadores de cuidados.
A concentração do setor tem aumentado nos últimos anos, em resultado das fusões e aquisições efetuadas pelos grandes grupos. Em 2024, os cinco maiores operadores detinham em conjunto uma quota de mercado superior a 90%, segundo a análise da Informa D&B.
Estudo da Consumers Trust Labs analisou o volume e os motivos das queixas dos utentes registadas no Portal da Queixa nos últimos dois anos, refletindo a perceção dos consumidores sobre os serviços hospitalares no país.
O maior problema dos sistemas de saúde é o do acesso. O SNS tem hoje mais médicos, enfermeiros e técnicos do que alguma vez teve e a sua atividade atinge níveis históricos. Mas a oferta pública não é suficiente.
Segundo o regulador, a despesa corrente em saúde nos hospitais privados é “cada vez mais suportada por pagamentos diretos das famílias”, que atingiram os 1.245 milhões de euros em 2022, com um crescimento médio anual de 9,2% desde 2014.
Não obstante a intervenção de sucessivos governos, temos sinais aparentes de um sistema de tipo soviético que em todo o lado produz o mesmo tipo de resultados: poucos e medíocres.
Prática já levou a um alerta geral por parte da Entidade Reguladora de Saúde e à deteção de quase meio milhar de infrações entre 2023 e até maio deste ano.
À frente da concentração, enfermeiros exibiam uma faixa em que resumem as suas exigências: “Salários + compensação turnos + 35 horas”, enquanto outros seguravam bandeiras do SEP e cartazes a afirmar “Não concordo! Faço greve”.
A CUF, Luz Saúde, Lusíadas, Trofa Saúde e a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada eram as visadas na multa por práticas irregulares de concertação nas negociações com a ADSE.
Mais de mil reclamações acerca de unidades de saúde foram apresentadas até ao final de março, sendo que mais de três em cada cinco são referentes a privados.
As subidas correspondem a 115 euros e vão chegar a 9.100 trabalhadores que desempenham as mais diversas funções no sector privado da saúde em Portugal.
A unidade de saúde gera 250 novos empregos e conta com 20 gabinetes de consultas, salas de tratamentos, bloco operatório, sala de pequena cirurgia, unidade de gastrenterologia e área de imagiologia.
Sem a prestação de cuidados realizada e financiada privadamente haveria um enorme aumento das despesas públicas. Quanto mais a procura for redirecionada para o setor privado, mais o Estado poupa.
Em conjunto, os hospitais da Luz, Lusíadas e CUF de Lisboa fizeram 4.926 partos, entre janeiro e junho, mais 20,6% que no mesmo período de 2022. Já os 13 hospitais públicos da região cresceram apenas 2,9%, totalizando pouco mais de 12 mil partos.
A greve abrange enfermeiros das instituições privadas de saúde onde é aplicável o contrato coletivo de trabalho estabelecido entre o SEP e a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, que inclui, entre outros, o Grupo Luz Saúde, Grupo Lusíadas Saúde, Grupo CUF e Grupo Trofa Saúde.
O problema não é exclusivo de Portugal e explica-se pelo aumento da procura intensa por cuidados de saúde e também pelo facto de ter havido um "rebalanceamento" com a pandemia de covid-19, em que os profissionais de saúde passaram a valorizar mais a vida pessoal e familiar.