Luís Montenegro tem pela frente um caminho exigente de gestão governativa que poderá ser, também, uma oportunidade política de gerir o País mais ao centro, com equilíbrios à direita e à esquerda, mas sobretudo à direita.
Hoje imaginei Luís Montenegro no genérico dos Simpsons, a escrever cem vezes no quadro “Não me vou irritar com perguntas dos jornalistas. Não me vou irritar com perguntas dos jornalistas...".
As agendas políticas já não traduzem uma agregação dos interesses presentes da sociedade, mas, sim, uma parte selectiva da sociedade, em particular dos grupos que se encontram organizados e mobilizados.
Com o aparecimento dos partidos Chega e Iniciativa Liberal, deu-se início de uma separação de águas na direita, que poderá ser conjuntural ou não, o futuro o dirá, mas que é consequência das particularidades do nascimento da direita em democracia.
Nesta quadra que agora vivemos, o contentamento dos cidadãos é, assim e por essa via, uma espécie de buffer que se consegue num certo período de acalmia, mesmo que tenhamos ficado pelo caminho no Mundial de Futebol.
Já parece estar desencadeada uma reforma do SNS, face aos casos de evidente ineficiência ocorridos no Verão. E em outras áreas-chave chegará a sua vez, em função das pressões que uma nova conjuntura ditará.