Portugal está hoje mais sólido, mais empregado, mais internacionalizado e financeiramente menos vulnerável, mas não está ainda suficientemente mais produtivo nem mais rico em termos relativos.
Conferência de aniversário do JE focou-se nas propostas para a próxima década para Portugal avançar. Inteligência artificial, menos burocracia, empresas maiores, aposta no conhecimento, energias renováveis, nova indústria ou retenção de talento são algumas das medidas defendidas para o país progredir. João Marcelino, diretor do JE, lançou dez desafios que se colocam ao país.
Os efeitos começam a ser visíveis na falta de resposta ao aumento de custo de vida. O Governo foi esgotando a margem orçamental e tem agora dificuldade em assumir novas medidas, quando precisa.
A verdade é que Miranda Sarmento sempre se opôs à nomeação de Centeno para governador do Banco de Portugal, dando a estocada final com o anúncio do novo governador.
Até agora, foram cumpridas apenas 23% das metas, foi recebido 28% do dinheiro, em trânsito pelos labirintos públicos, de um total de 22 mil milhões de euros. Estamos a ver resultados?
Um governo manda uma empresa pública pagar um dividendo extraordinário, para poder fazer um brilharete com os números da dívida, mas o presidente resiste às ordens da tutela. A solução? Prometer à gestão da empresa que no ano seguinte será realizado um aumento de capital no mesmo valor. Cosmética financeira? Não, estúpido, são as "contas certas"!
O atual ministro das Finanças fala num défice mais próximo de 600 milhões de euros do que dos 260 milhões reportados pela DGO, acusando anterior Executivo de aprovar despesas após as eleições. Medina fala em valores não comparáveis, falando em “impreparação” do sucessor.
Para os mais distraídos, arrogo-me dizer que a literatura económica tem sérias reservas quanto à possibilidade de um “choque fiscal” ter um efeito expansionista.
Dava jeito a Portugal ter uma situação estável. Com uma maioria absoluta a fazer as reformas que a economia e a sociedade precisam, com uma rota bem definida de contas certas e uma comunicação social forte para escrutinar por cima deste patamar.
Convém recordar que a economia é uma ciência social e que os números que saem do Excel assentam sempre, mais tarde ou mais cedo, em cima de pessoas de carne e osso. Às vezes com estrondo.
Para o antigo primeiro-ministro e ex-Presidente da República, a "armadilha" das "contas certas" foi também "uma tentativa de esconder a incompetência e a baixa qualidade moral de alguns ministros".
O líder da CIP afirma que, além da proposta de redução do IVA nos bens alimentares, o pacto social a apresentar em conjunto com a UGT irá pedir uma redução do IRS, de forma a estimular o rendimento disponível das famílias.
Este é um orçamento de contas certas na economia e nas finanças, que procura responder aos desafios de um cenário macroeconómico, que está extremamente afetado por um choque externo.