O Mundo está ao contrário. Só são respeitadas as nações financeiramente disciplinadas ou, como os EUA, militarmente poderosas. A Europa, infelizmente, está a perder uma e não tem a outra.
Apesar da Standard & Poor's e da Fitch terem baixado o rating de França, invocando motivos como a instabilidade política e a situação económica, por outro lado o mercado bolsista segue na direção contrária somando ganhos de quase 10% desde o início. Analistas explicam ao JE os motivos que justificam esta diferença de comportamentos.
Nos últimos anos, os governos de António Costa e depois de Luís Montenegro têm estabelecido como objetivo a redução da dívida pública e saldos orçamentais positivos ou o mais próximo disso possível, o que melhorou a imagem de Portugal perante os investidores.
As receitas provenientes das tarifas vão conseguir reduzir o impacto fiscal do plano de investimento e redução de impostos anunciado por Donald Trump, mas, mesmo assim, a agência não aumentou o rating, que era historicamente de AAA.
A agência contraria a expetativa de que faria subir o indicador e salienta que a crise política em que o país mergulhou pode comprometer parte do financiamento do PRR. Ao mesmo tempo, aponta a uma perspetiva positiva, mediante a crença de que a dívida pública e a dívida externa vão baixar.
No caso das 'Áfricas', o ciclo cruel dos ratings de crédito injustamente baixos obriga a pagar juros significativamente mais altos que apenas agrava a dívida externa num reflexo de uma relação predatória.
A agência subiu o rating para 'A3', mas reduziu as perspetivas económicas da economia portuguesa para 'estáveis', depois da subida efetuada em maio. Trata-se de uma tomada de decisão em linha com a expectativa gerada e com as subidas de notação de outras homólogas.
Percebe-se a preocupação da Fitch, pois nem o crescimento económico está a diminuir o défice orçamental. Ou seja, o crescimento dos EUA está suportado em estímulos fiscais financiados por dívida.
Nos EUA, desde 1917 que ultrapassar o teto da dívida pública está sujeito a aprovação. Segundo Janet Yellen, o limite será ultrapassado em junho, mas a Goldman Sachs admite que dure até agosto.