“Sunbrellas” e ar condicionado disparam

As marcas de luxo há muito que vendem guarda-chuvas a três dígitos. Agora, esses mesmos objetos subiram de estatuto e ajudam o negócio a não ter estação. A indústria está a esfregar as mãos de contente, afinal viu aqui uma oportunidade para vender mais.

“Sunbrellas” e ar condicionado disparam
Guarda Chuvas

Durante décadas, o chapéu de chuva era apenas convocado para os dias de nuvens chorosas. Agora, com as ondas de calor que assolam as cidades europeias, com temperaturas a ultrapassar facilmente os 35.ºC, este acessório vive uma transformação sofisticada. O “sunbrella” passou a ser usado no verão, transformando a sombra num acessório de moda.

Segundo o The Guardian esta tendência está a crescer tanto nas ruas como nas passarelas. O mais curioso é a naturalidade com que a “tendência” se infiltrou no quotidiano. Já não surpreende verem-se figuras públicas a circular com guarda-sóis em contextos inesperados — desde paddocks de Fórmula 1 com chapéus vermelhos da Ferrari a combinar com a indumentária até atores a receberem num desfile de moda da Dior chapéus de sol para aliviar o desconforto do sol inclemente.

As marcas de luxo há muito que vendem guarda-chuvas a três dígitos. Agora, esses mesmos objetos subiram de estatuto e ajudam o negócio a não ter estação. A indústria está a esfregar as mãos de contente, afinal viu aqui uma oportunidade para vender mais. Já há versões de “sundbrellas” com proteção UV, tecidos especiais, interiores refletores e até nomes que parecem feitiços de videojogo: “UV Metro”, “sunscreen umbrella” e afins. Sim, porque como dizia o ator Vasco Santana, no clássico filme português “A Canção de Lisboa”, “Chapéus há muitos!”.

O mercado não ficou à sombra. Dados da 6Wresearch, indicam que o mercado europeu de guarda-chuvas ou de sol deverá atingir 2,5 mil milhões de dólares até 2031, mantendo um crescimento anual  de 4,8% e claro uma das justificações é o humor do clima. Porém, a tecnologia inteligente também deu um empurrão, afinal alguns já conseguem prever o tempo e têm mecanismos de abertura e fecho automático, além de JPS incorporado.

Em Portugal, apesar da ausência de dados oficiais, estima-se que o mercado varie entre 20 e 50 milhões de euros por ano, o que corresponderá à venda de 1,5 a 4 milhões de guarda-chuvas.

Outro produto que disparou as vendas foi o ar condicionado, apesar de na Europa a tendência ainda estar a dar os primeiros passos, Apenas 20% da população se rendeu a este aparelho. Contudo, as vendas na Península Ibérica atingiram 2,245 bilhões de euros em 2025. Um crescimento de 6,9% de acordo com o Observatório Setorial DBK Informa. “Portugal cresceu 7,6%”.

Os investidores também estão a preparar as suas carteiras a pensar nos verões escaldantes. Michael Field, estratega-chefe de ações da Morningstar admite “que há empresas industriais como a Johnson Controls e a Siemens que serão grandes beneficiárias. Ambas operam no setor AVAC (aquecimento, ventilação e ar condicionado), principalmente na produção de bombas de calor comerciais.” Outras ações a ficar de olho serão as ligadas à transição energética e aposta nas energias verdes.

A verdade é que este é um tema que não podia ser mais atual com temperaturas a escalar no país até aos 40 graus. Por isso, se ainda não tem ar condicionado em casa, vá buscar o guarda-chuva. Está na moda e os os asiáticos já o fazem há milénios!

Relacionado

Uma nova fintech a cada três semanas no últimos 10 anos. Setor português triplica receitas para 416 milhões

Uma nova fintech a cada três semanas no últimos 10 anos. Setor português triplica receitas para 416 milhões

Maria Teixeira Alves5 Nov
O estudo revela que 60% das fintechs já participaram em iniciativas de inovação de incumbentes, num total de 377 participações, das quais resultaram 166 provas de conceito ou pilotos e 88 parcerias comerciais pagas. Mais de metade dos pilotos - 53% - chegou a contrato. A 10.ª edição do Portugal Fintech Report debruça-se ainda sobre o primeiro ano da MiCA que deixou Portugal com menos operadores cripto nacionais do que em 2025
Receitas trimestrais da Apple crescem 12%

Receitas trimestrais da Apple crescem 12%

Filipe Gil2 Nov
A empresa registou uma receita trimestral de 114,5 mil milhões de dólares (102,2 mil milhões de euros), um aumento de 12% em relação ao período homólogo. Os resultados foram impulsionados pela procura inicial do modelo iPhone 18 Pro e pelo aumentos de preços na maioria dos produtos.