Starbucks fecha lojas nos EUA mas acelera expansão no Brasil

A empresa tem fechado lojas de baixo desempenho e demitido centenas de funcionários, como parte do plano de reduzir os custos em 2 biliões de dólares (1,8 mil milhões de euros) por ano até 2028.

Starbucks fecha lojas nos EUA mas acelera expansão no Brasil
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Enquanto fecha lojas nos Estados Unidos, a Starbucks acelera a sua expansão no Brasil após um período de estagnação provocado pela recuperação judicial da sua antiga operadora no país.

O crescimento contrasta com o movimento que ocorre nos EUA. Nas últimas semanas, a Starbucks fechou centenas de lojas de baixo desempenho. As unidades afetadas representam cerca de 1% dos 18 mil estabelecimentos que a companhia tem em território americano.

Questionada pela Folha se a reestruturação da matriz pode impactar os planos de expansão no Brasil, a empresa informou que “a Starbucks administra seu portfólio de lojas considerando as dinâmicas e oportunidades específicas de cada mercado”.

“No Brasil, observamos um momento positivo, impulsionado pela expansão da presença da Starbucks e pela crescente conexão dos consumidores com a marca. O Brasil continua a ser um mercado estratégico para a Starbucks globalmente, com significativo potencial de crescimento”, afirma.

A marca passou por uma espécie de apagão quando a SouthRock, que operava as lojas da rede no Brasil, entrou em recuperação judicial no final de 2023.

Na ocasião, várias lojas fecharam as portas. Pouco depois, a operação passou para a Zamp, responsável também pelo Burger King no Brasil.

Após uma reestruturação inicial, a Zamp retomou os investimentos na rede, promovendo lançamentos frequentes de produtos sazonais e temáticos, além de parcerias com outras marcas.

Até o início deste ano, no entanto, a empresa ainda evitava investir em expansão. Os planos de crescimento foram retomados a partir do segundo trimestre. Desde então, foram abertas 20 novas lojas.

A companhia diz que mantém a previsão de inaugurar ainda mais lojas no país. A marca prevê encerrar 2026 com um total de 32 novas cafeterias, acima da meta de 30 anunciada anteriormente.

Com a operação ainda concentrada no Sudeste, a expansão deve alcançar novas áreas a partir de 2027. “Após a retomada da expansão em Belo Horizonte e a continuidade do crescimento no Rio de Janeiro e em São Paulo, a Starbucks avalia oportunidades de expansão para novas cidades e regiões”, informou o grupo.

Atualmente, a Starbucks conta com 130 lojas no Brasil. As unidades estão distribuídas por São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Goiás e Bahia, além do Distrito Federal.

Globalmente, a reorganização da empresa faz parte do plano “Back to Starbucks” (“De volta ao Starbucks”).

Lançado após Brian Niccol assumir como CEO em 2024, o projeto tenta resgatar o desempenho da rede como uma referência de atendimento, em que as cafeterias eram vistas como espaço de permanência e os baristas se destacavam pela hospitalidade.

No ano passado, a Starbucks já havia encerrado as atividades de mais de 600 unidades deficitárias. A companhia também coordenou a venda de 60% das suas operações de retalho na China.

Enquanto isso, a empresa investe para resgatar os tempos áureos da rede. Essa estratégia de recuperação envolve a contratação de mais funcionários e a modernização de tecnologias que visam dar mais agilidade ao atendimento.

A rede também resgatou tradições que haviam sido abandonadas, como o hábito de os baristas escreverem pequenas mensagens nos copos.

Outro retorno foi o dos balcões de condimentos, permitindo que os próprios clientes adicionem açúcar, leite, canela e outros itens à bebida.

A gestão de Niccol trouxe ainda de volta as canecas de cerâmica com direito a reposição para consumo no local.

O plano tem dado resultado. A Starbucks regista um aumento de vendas nos últimos trimestres, e as ações da empresa acumulam subidas de quase 15% nos últimos 12 meses.

A operação, no entanto, pressionou os lucros. Por isso, a empresa tem fechado lojas de baixo desempenho e demitido centenas de funcionários, como parte do plano de reduzir os custos em 2 biliões de dólares (1,8 mil milhões de euros) por ano até 2028.

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