Sim, o glamour da caligrafia existe

A “Masters of Art” da Montblanc presta homenagem a Matisse. Cinco edições limitadas que exaltam uma antiga tecnologia humana: a caligrafia.

Sim, o glamour da caligrafia existe
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A coleção “Montblanc Masters of Art Homage to Henri Matisse” presta tributo ao artista francês nascido em 1869 e desaparecido em 1954. Uma figura central da arte moderna e autor de uma linguagem que mudou a relação do século XX com a cor, o corpo e a forma. Esta coleção organiza-se em cinco edições limitadas, cada uma dedicada a um capítulo específico da obra do artista, e foi desenvolvida em parceria com a Maison Matisse.

Importa, talvez, explicar por que razão Matisse interessa à Montblanc. O artista que começou por incendiar a tela com o Fauvismo, avançou depois para uma depuração progressiva da linha e, nos últimos anos, quando a saúde já lhe constrangia os movimentos, encontrou nos recortes em papel pintado a guache uma forma radical de continuar a desenhar. A célebre expressão “desenhar com tesoura” não surge aqui como nota de rodapé. No fundo, constitui o programa visual desta coleção.

A silhueta das canetas inspira-se, precisamente, nas esculturas de Matisse, com volumes arredondados, linhas orgânicas e uma ideia de forma reduzida ao essencial. O clip remete para os recortes do artista, em particular para “The Sheaf”, de 1953. E a assinatura técnica da linha “Masters of Art” não cede um milímetro. Isto é, as proporções têm esse equilíbrio a que se chama harmonia, uma demanda transversal à arte, à arquitetura e ao design.

A caligrafia, antiga tecnologia humana de cariz manual, vive atualmente um extraordinário paradoxo. Caiu praticamente em desuso no nosso quotidiano, engolida por ecrãs, teclados e emojis. Mas conquistou um novel estatuto quando passou para o território do ritual. A caneta deixou de ser apenas um utensílio, uma ferramenta. Tornou-se objeto de coleção, peça com carga emocional, uma escolha para momentos especiais, ritmados pelo tempo e não pela pressa.

Ora, este é um território que a Montblanc conhece muito bem. Desde 1906 que a cultura da escrita é o seu backbone, a sua identidade e essência. E, embora nas últimas décadas a maison tenha vindo a ampliar a sua oferta – desde relógios a acessórios e novas tecnologias –, a verdade é que a caneta, esse instrumento de escrita por excelência, continua a ser o centro simbólico da marca. Daí que a linha “Masters of Art” ambicione criar objetos colecionáveis. Por isso a coleção “Matisse” faz jus ao que o artista francês defendia: uma arte capaz de chegar ao essencial sem perder prazer.

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