Será que ouvimos o povo Yanomami?

Ver o mundo pelos olhos de um Yanomami, na medida em que tal seja possível a quem, como nós, habita um sistema de crenças completamente diferente, implica encontrar a preocupação ecológica por uma via ontológica.

Será que ouvimos o povo Yanomami?
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No primeiro capítulo do livro “A Imperfeição da Filosofia”, Maria Filomena Molder lança-nos um repto desconcertante: “escutaríamos nós um carvalho ou uma pedra, se eles dissessem a verdade?”. A pergunta é inspirada por uma passagem do “Fedro” (275b-d) na qual Platão, após comentar o mito da invenção da escrita, se reporta a um tempo em que as pessoas se preocupariam apenas com a verdade daquilo que era dito, e não com a origem dessa mensagem.

Refere Platão que no templo dedicado a Zeus em Dodona, se acreditava que as primeiras palavras divinatórias teriam sido ditas por um carvalho. Sendo tidas por verdadeiras, não era a possível estranheza da sua origem que as desqualificaria.

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