São Tomé é uma cidade silenciosa e o país para com falta de combustíveis

“Eu não me recordo de ter atravessado um período tão crítico como este, deste momento”, disse à Lusa Jorge Correia, presidente do organismo, lembrando contingências de um país como São Tomé e Principe onde quase tudo chega por barco.

São Tomé é uma cidade silenciosa e o país para com falta de combustíveis
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A cidade de São Tomé está silenciosa e o país a parar devido à falta de combustíveis, descreveu hoje o presidente na Câmara do Comércio, Indústria, Agricultura e Serviços, devido à situação mais crítica de que se lembra.

“Eu não me recordo de ter atravessado um período tão crítico como este, deste momento”, disse à Lusa Jorge Correia, presidente do organismo, lembrando contingências de um país como São Tomé e Principe onde quase tudo chega por barco.

São Tomé e Príncipe é “um país ilha” em que a energia vem dos combustíveis e por isso “as repercussões são transversais”, porque faltando os combustíveis, “o país para”.

Para descrever o ambiente, referiu que “são raros os veículos a circular” na cidade de São Tomé, a capital, e por isso “quase se pode andar na cidade de olhos vendados” e a falta de combustível tem agudizado os cortes constantes de eletricidade.

“Nem vale a pena entrar em grande pormenor porque em São Tomé os combustíveis movimentam tudo. [Sem combustíveis] é o pescador que não pesca, são os taxistas que não funcionam, transporte público que não se movimenta, os motoqueiros estão paralisados…”, descreveu.

“É um problema extremamente grave. A circulação para e parando a circulação, para a economia”, resumiu, apontando algumas excepções conseguidas por acordos do Governo com parceiros que permitem abastecimento de serviços essenciais.

O presidente na Câmara do Comércio, Indústria, Agricultura e Serviços acredita, contudo, que a situação será em breve ultrapassada e, mais, “que não se repetirá”.

“O apelo que eu faço é que, quando se tem uma situação como essa, é preciso que a gente tenha cuidado acrescido”, apelou, e se já se falava “da importação, da hipótese de ir buscar combustível ao Togo ou outro país, tem de se ter noção de como fazer, o que fazer para que o navio possa descarregar” e prever “um conjunto de situações”.

“Não sei de quem é, mas julgo que há que responsabilizar as pessoas que estiveram à frente dessa operação”, defendeu.

O Governo e a Empresa de Combustíveis e Óleo (ENCO) de São Tomé e Príncipe já disseram que obtiveram respostas a pedidos feitos ao Togo e a Angola e, em três dias, contam ultrapassar a escassez de combustíveis no país, que se prolonga há cerca de duas semanas.

A petrolífera angolana Sonangol “aceitou antecipar a entrega que estava programada para final deste mês”, devido à intervenção do Governo de São Tomé e Pricipe e da empresa, revelou hoje à Lusa o diretor administrativo e financeiro da ENCO e deputado da Ação Democrática Independente (ADI, no poder), Orlando da Mata, prevendo que “é uma questão de dias” e até final de quarta-feira a situação pode ficar resolvida.

Este navio está a ser carregado e a viagem desde Angola “demora dois a três dias até São Tomé”, detalhou a mesma fonte.

Ao mesmo tempo, do Togo, de onde é procedente o navio com combustíveis que chegou há duas semanas mas que até hoje, por razões técnicas e apesar de várias tentativas, não conseguiu descarregar, já saiu um navio mais pequeno e com as características necessárias para receber o combustível do primeiro navio e depois fazê-lo chegar aos terminais.

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