Putin quer aumentar influência russa no continente africano

O líder russo observou que a ordem mundial multipolar não está a ser bem recebida por países com um histórico de colonialismo: países ocidentais que " enriqueceram fabulosamente às custas dos outros". O Fórum Económico e Humanitário Rússia-África foi o palco das declarações.

Putin quer aumentar influência russa no continente africano
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Em paralelo aos avatares da invasão da Ucrânia, a Rússia continua a desenvolver a sua influência internacional e vários palcos. E se o conjunto dos BRICS é aquele que agrega maior atenção por parte do Ocidente, dada presença de um vasto manancial de países líderes mundiais, a presença da Rússia em África afigura-se como essencial no quadro dos interesses internacionais do Kremlin. Não é por acaso que o presidente Vladimir Putin reserva intervenções de longo alcance no Fórum Económico e Humanitário Rússia-África, que teve início esta quarta-feira, 28 de outubro.

Putin observou que a era em que o destino dos continentes era determinado por um punhado de Estados acabou, num contexto em que um mundo multipolar está a emergir: “testemunhamos que o mundo multipolar está a tornar-se realidade, e essa tendência é objetiva e irreversível”. “Um mundo mais justo” em que “as vozes de todos os países que participam na comunicação internacional devem ser ouvidas”.

Na ótica do presidente russo, os países ocidentais continuam a tentar afundar os países africanos em dívida, concedendo-lhes empréstimos em condições exorbitantes: “Há tentativas ativas por parte dos Estados ocidentais de levar os africanos de regresso à servidão por via das dívidas, impondo-lhes recursos financeiros tão necessários em condições exorbitantes, o que, consequentemente, os força a pagar repetidamente em excesso para amortizar e acabar com a dívida, em detrimento dos planos de desenvolvimento de longo prazo”, disse.

É por isso que esta ordem mundial multipolar não está a ser bem recebida por países com um histórico de colonialismo, que “enriqueceram-se fabulosamente à custa dos outros”; “todo o tipo de meios sórdidos e cínicos são utilizados, incluindo guerras tarifárias, sanções ilegítimas, imposições económicas, chantagem e interferência em assuntos internos”.

Contrariamente, disse Putin, “a Rússia está aberta a transferir as nossas competências modernas e conhecimento digital de ponta para os nossos amigos africanos. E exemplifica: “Mais de 40 países africanos já recebem fertilizantes e cereais russos” e “estamos prontos para expandir ainda mais a geografia desse fornecimento”. As exportações de produtos agroindustriais russos para países africanos totalizaram 13 milhões de toneladas nos primeiros nove meses do ano.

É por isso que a Rússia reconhece o papel dos países africanos na rejeição das restrições anti-russas impostas pelo Ocidente: “As relações comerciais e económicas continuam a desenvolver-se de forma constante e não são prejudicadas pelas restrições sem precedentes impostas ao nosso país, nem pela forte pressão exercida pelo Ocidente sobre os nossos parceiros no continente africano”. “”É imprescindível continuar a trabalhar na construção de canais estáveis ​​de liquidação em moedas nacionais”, protegidos da interferência de países hostis, afirmou Putin.

 

O papel dos BRICS

O presidente russo não se esqueceu do papel dos BRICS, que, nos últimos cinco anos, produziram mais de 40% do PIB global, enquanto o G7 contribuiu com menos de 30% – segundo dados referidos pelo próprio. “Sem dúvida, essa proporção só aumentará, e aumentará, certamente, em favor dos países em desenvolvimento”.

“Diferentes modelos religiosos, civilizacionais e culturais coexistem harmoniosamente nos BRICS. Ao mesmo tempo, todos os seus participantes defendem a igualdade e o respeito, a amizade, a harmonia e atuam em solidariedade na busca de respostas para os desafios e ameaças urgentes, visando garantir a estabilidade e a segurança globais, a prosperidade universal e o bem-estar.”

Putin disse ainda que defende o fortalecimento do papel da África na gestão do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, instituições que considera necessário reformar para atender às necessidades das economias em desenvolvimento. “A reforma dessas organizações, a sua reorientação para as necessidades e exigências das economias em desenvolvimento, já deveria ter sido abordada há muito tempo.”

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