Produção de energia solar em Moçambique cresceu 6,4% no primeiro semestre

De acordo com o relatório da execução do primeiro semestre do ministério dos Recursos Minerais e Energia, as centrais solares moçambicanas aumentaram a produção, tendo em conta os 49.422,23 MWh registados no mesmo período de 2025, correspondendo a um aumento de 3.153 MWh.

Produção de energia solar em Moçambique cresceu 6,4% no primeiro semestre
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A produção de energia solar em Moçambique cresceu 6,4% no primeiro semestre, para 52.576 megawatts-hora (MWh), aumentado o peso na matriz elétrica nacional, segundo dados oficiais.

De acordo com o relatório da execução do primeiro semestre do ministério dos Recursos Minerais e Energia, as centrais solares moçambicanas aumentaram a produção, tendo em conta os 49.422,23 MWh registados no mesmo período de 2025, correspondendo a um aumento de 3.153 MWh.

Apesar desta evolução, a energia solar ainda mantém um peso reduzido no sistema elétrico nacional, representando apenas 0,7% dos 8,06 milhões de MWh produzidos em Moçambique nos primeiros seis meses deste ano.

A central solar de Mocuba, na província central da Zambézia, manteve-se como a principal unidade fotovoltaica do país, respondendo por 34.031 MWh até junho, cerca de dois terços de toda a produção solar nacional.

Seguiu-se a central de Tetereane, província de Tete, com 17.807 MWh produzidos no semestre, enquanto os sistemas solares de menor dimensão instalados em Mavago, Muembe e Mecula, na província do Niassa, registaram produções inferiores a 200 MWh cada.

Os dados indicam que Mocuba aumentou a produção em 7% face ao período homólogo, enquanto Tetereane cresceu 5,9%. Em sentido contrário, os pequenos sistemas solares do Niassa registaram quedas entre 9% e 25%, refletindo a reduzida escala destas infraestruturas.

A produção solar atingiu até junho 45% da meta anual de 116.823 MWh fixada para 2026.

A matriz elétrica moçambicana continua amplamente dominada pela hidroeletricidade, responsável por 81,3% da produção nacional no primeiro semestre, com 6,55 milhões de MWh, seguindo-se a produção térmica, com 1,45 milhão de MWh e um peso de 18%.

O crescimento da produção solar surge num contexto de forte aposta governamental na diversificação das fontes de energia e no alargamento do acesso à eletricidade, sobretudo em zonas remotas.

A canadiana JCM Power anunciou no final de agosto que foi escolhida para desenvolver a central solar fotovoltaica de Manje, de 30 megawatts (MW), em Tete, que reforça a aposta de Moçambique na mobilização de investimento privado para expandir a produção de energia renovável.

A adjudicação foi anunciada pela própria empresa, que assinalou a iniciativa como a sua entrada oficial no mercado moçambicano, através do Programa de Promoção de Leilões de Energias Renováveis (Proler), o primeiro mecanismo competitivo de contratação de projetos solares fotovoltaicos implementado no país.

Segundo a JCM Power, a futura central, localizada na província de Tete, centro do país, deverá contribuir para o reforço da produção de energia limpa e apoiar os objetivos nacionais de expansão do acesso a eletricidade fiável, acessível e sustentável. A empresa adiantou ainda que pretende trabalhar em articulação com o Governo moçambicano, a Eletricidade de Moçambique (EDM) e outros parceiros locais para concretizar o empreendimento.

O projeto foi atribuído através do Proler, um programa apoiado pela Comissão Europeia e pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), criado para promover a participação do setor privado no desenvolvimento de infraestruturas renováveis e aumentar a capacidade de geração de energia no país, que prevê a instalação de cerca de 120 MW de capacidade renovável através de concursos competitivos.

A iniciativa remonta a 2022, quando as autoridades moçambicanas lançaram um processo de pré-qualificação destinado à seleção de investidores privados para o desenvolvimento das centrais solares de Manje, em Tete, e de Chimbunila, na província do Niassa, ambas com capacidade prevista de 30 MW. Os promotores escolhidos deveriam assegurar o financiamento, conceção, construção, operação e manutenção das infraestruturas.

Em junho, o Ministério dos Recursos Minerais e Energia lançou um concurso para a instalação de uma central solar de 30 MW no distrito do Dondo, província de Sofala, assinalando a retoma do programa Proler e reforçando a estratégia de recurso a concursos competitivos para a atração de investidores privados.

Paralelamente, encontra-se em fase de consulta pública o projeto da Central Solar de Nhamatanda, na província de Sofala, um investimento estimado em 69 milhões de dólares (59,5 milhões de euros), promovido pela EDM em parceria com a empresa privada VBC. Com capacidade prevista de 45 MW, a infraestrutura deverá ocupar cerca de 160 hectares e contribuir para o reforço da Rede Elétrica Nacional.

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