Os preços da eletricidade e do gás estão a estabilizar após terem atingido máximos históricos no segundo semestre de 2022, de acordo com o Eurostat, que nota, contudo, que o preços da eletricidade subiram em 22 Estados-membros do bloco europeu no primeiro semestre de 2023
Apesar de observar uma estabilização dos preços no primeiro semestre, o gabinete de estatísticas refere, num boletim publicado esta quinta-feira, que “os preços médios da eletricidade doméstica na União Europeia (UE) continuaram a registar um aumento em comparação com o mesmo período de 2022, passando de 25,3 euros por 100 kWh para 28,9 euros por 100 kWh”; além disso, “os preços médios do gás também aumentaram em comparação com o mesmo período de 2022, passando de 8,6 euros por 100 kWh para 11,9 euros por 100 kWh no primeiro semestre de 2023”.
Segundo o Eurostat, a percentagem de impostos nas faturas de eletricidade desceu 4% para 19% e na fatura do gás diminuiu 8% para 19% no primeiro semestre, no âmbito da adoção de um conjunto de medidas adotadas pelos governos europeus para atenuar o aumento da energia, como a atribuição de subsídios e subvenções governamentais ou, ainda, a redução de impostos e taxas associadas à energia.
O maior aumento (em moeda nacional) foi registado nos Países Baixos (+953%), uma subida que o Eurostat relaciona com o fim “das medidas de desagravamento fiscal de 2022” e, ainda, a “duplicação dos impostos sobre a energia elétrica para as famílias”. Além daquele país da Europa ocidental, foram registados aumentos considerais em moeda nacional na Lituânia (+88%), na Roménia (+77%) e na Letónia (+74%).
Por outro lado, o Eurostat dá conta de descidas significativas em Espanha (-41%) e Dinamarca (-16%), registando descidas menores em Portugal (-6%), Malta (-3%) e Luxemburgo, com valores próximos de 0 (-0,4%).
Os preços médios da eletricidade doméstica no primeiro semestre foram mais baixos na Bulgária (11,4 euros por 100 kWh), na Hungria (11,6 euros) e em Malta (12,6 euros) e mais elevados nos Países Baixos (47,5 euros), na Bélgica (43,5 euros), na Roménia (42,0 euros) e na Alemanha (41,3 euros).
Quanto ao gás natural, os preços subiram em 20 dos 24 Estados-Membros da UE que comunicam os preços do gás, segundo o Eurostat. Por país, os maiores aumentos foram registados na Letónia (+139%), Roménia (+134%), Áustria (+103%), Países Baixos (+99%) e Irlanda (+73%); por outro lado, na Estónia, Croácia e Itália os preços caíram entre -0,6% e -0,5% e Lituânia mantiveram-se inalterados.
Nos primeiros seis meses do ano, os preços médios do gás para uso doméstico foram mais baixos na Hungria (3,4 euros por 100 kWh), na Croácia (4,1 euros) e na Eslováquia (5,7 euros) e, por outro lado, mais elevados nos Países Baixos (24,8 euros), na Suécia (21,9 euros) e na Dinamarca (16,6 euros).
No mesmo boletim, o Eurostat recorda que “os preços da energia subiram devido a um aumento do preço do gás natural, que é considerado o combustível marginal”, dada a diminuição das importações da Rússia e a necessidade de encontrar se outros importadores.