Portugal desconcentrado

Os movimentos de fusões e aquisições são diminutos, mais ainda se excetuarmos o imobiliário, e não estão a acelerar, pelo contrário, retraem-se, contrariando a expectativa.

Portugal desconcentrado
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Uma das questões com que Portugal se debate sistematicamente é a da dimensão, não só do mercado, quando comparado com a vizinha Espanha e com outros concorrentes mais além, mas também das empresas. Um país de dez milhões de habitantes, na ponta da península europeia, com um tecido empresarial composto por micro, pequenas e médias empresas, em que as unidades económicas de maior dimensão são médias empresas na União Europeia e pequenas à escala global.

Este cenário constitui uma boa base para a concentração, para que se procure eficiência e ganhos de escala capazes de tornar as empresas mais competitivas, dando-lhes bases para crescer. Mas não é isso que acontece, ou acontece menos do que o necessário.

Os movimentos de fusões e aquisições são diminutos, mais ainda se excetuarmos o imobiliário, e não estão a acelerar, pelo contrário, retraem-se, contrariando a expectativa. Isto traduz a dimensão do mercado e das empresas, insuficientes para atraírem players de maior escala, mas também evidencia uma questão cultural. O tecido empresarial é formado por micro e PME, muitas delas de cariz familiar, avessas à partilha de capital ou de poder na gestão.

Vemos isto mesmo no relatório de monitorização do IPCG, em que se regista a relutância das empresas em integrarem independentes no seu núcleo, encarando-os como corpos estranhos. Esta é uma das mais relevantes condicionantes dos processos de concentração, que limita o acesso a capital, tecnologia, capacidade de gestão e, no final, a melhores condições de competitividade.

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