Fernando Pacheco, Economista

O rei morreu, viva o rei

Andy Burnham é D. Sebastião no nevoeiro londrino. Para o partido trabalhista, se não se sabe o que vai fazer, não interessa, pois é o único que pode impedir a vitória de Farage; para nós, também, mas…

Agora que o estreito de Ormuz está fora das nossas preocupações, depois de Trump ter dito ao Supremo Líder “vamos jogar ao fim disto, coroas perco eu, caras ganhas tu”, estamos a acordar para o senhor na ponta direita do Continente.

Este é um problema exclusivamente europeu depois de Trump reeditar a cena de Pilatos, e é bom que nós, europeus, não percamos de vista a máxima de Benjamim Franklin: “we must all hang toghether or we shall all hang separately”. É, pois, preocupante o que se passa na Velha Albion.

Tivemos no mês passado a ejeção de Starmer de Downing Street pelo seu próprio partido, e tiraram um homem de Manchester para o pôr no Parlamento para ser primeiro-ministro – a política no seu melhor.

Depois do massacre das eleições locais às mãos do Reform, de Nigel Farage, os trabalhistas recorreram ao golpe palaciano para limitar danos. Escolheram uma figura simpática e carismática, ex-governante, Presidente da Câmara de Manchester, que na sua circunscrição deixou o candidato do Reform a ver navios. Que vai isto implicar para nós?

Andy Burnham é D. Sebastião no nevoeiro londrino. Para o partido, se não se sabe o que vai fazer, não interessa, pois é o único que pode impedir a vitória de Farage; para nós, também, mas…

Até agora, ele prometeu três coisas: devolução, a transferência de poder para as autoridades locais, mas em 55 referendos feitos este milénio só em 17 tal foi aprovado; baixar os preços da energia elétrica, como não disse; e milhão e meio de habitações sociais, sem dizer com que dinheiro.

E mais avançou, mas isso não é importante; é, sim, que mantenha o apoio à Ucrânia e que continue a reaproximação à União (ele é favorável ao regresso, embora não encare para já novo referendo). O Reino Unido é um pilar da defesa europeia e foi uma força de progresso do mercado interno, evitando excessos de intervenção.

Mas a vida de Burnham não vai ser fácil.

Como se governa um país em que só em Gales 20% da população em idade de trabalhar vive de apoios sociais? Que, diz Idrees Kahloon no “Atlantic”, em 2007 tinha um rendimento mediano acima da Alemanha, a libra valia dois dólares e a bolsa ia ultrapassar Nova Iorque, para hoje estar só marginalmente acima do Mississipi, o estado americano mais pobre.

É esta a missão que Starmer falhou, com os seus constantes flic-flacs, e que Burnham tem pela frente. Vamos esperar que se cumpra a Lei de Littlewood: “in the course of any normal person’s life, miracles happen at a rate of roughly one per month”.

Relacionado

Lufthansa irá arcar com eventuais remédios diretamente para entrar na TAP, afirma Governo

Lufthansa irá arcar com eventuais remédios diretamente para entrar na TAP, afirma Governo

Respondendo a perguntas da líder parlamentar do PCP Paula Santos sobre a operação, Hugo Espírito Santo lembrou que “existe o compromisso de que o comprador irá arcar com os remédios regulatórios diretamente”, mas rejeitou especular sobre as condições e obrigações que o executivo comunitário possa vir a decidir enquanto guardião dos tratados europeus em matéria de concorrência.