Conhecido pela inquietação que raramente o deixa entrar em modo off — mesmo em férias — José Cardoso Botelho, de 61 anos, tem a capacidade de transformar momentos de descanso em combustível criativo. Esse traço foi central ao longo da sua carreira e promete marcar também a nova fase profissional.
O gestor, casado e com três filhos, é desde 1988 investidor em empresas nos sectores do retalho têxtil, software, dispositivos médicos, tecnologias de aquecimento, compósitos e imobiliário. Licenciado em Gestão e detentor de um MBA em Gestão Internacional, tem realizado várias formações nas áreas do marketing, negociação e estratégia.
O primeiro investimento individual foi numa secadora de cereais, na Azambuja. Atualmente, atua em projetos de grande escala e mantém uma rede de contactos diversificada. “A minha missão é impulsionar a inovação e a qualidade no imobiliário em Portugal, promovendo projetos que criem valor económico e social, respeitando o meio ambiente e a identidade cultural dos territórios. Acredito que o investimento imobiliário pode — e deve — ser uma força positiva para o país e para as comunidades”, disse.
A entrada de José Cardoso Botelho na Vanguard começou com uma história improvável. Em 2015, Claude Berda [dono da promotora imobiliária que tem investimentos de mais de 1,2 mil milhões em Portugal], pensou em investir num outro país que pudesse ser uma nova Suíça. “Ele veio a Lisboa e encontrou-se com um amigo comum que me indicou. Conhecemo-nos e, uns dias depois, telefonou-me para combinar um pequeno-almoço. Estivemos juntos, demos uma volta por Lisboa e, no caminho de regresso, tirámos uma selfie. Havia um prédio atrás com um cartaz a dizer vende-se. O Claude olhou para mim e perguntou o que era, se a localização era boa e eu confirmei. E ele já gostava tanto de Portugal que apertámos a mão e comprámos o terreno”, lembrou o gestor numa entrevista. À noite afinaram a ideia. O objetivo era montar uma empresa de gestão, com portugueses, criar uma merca e tentar vender o mais diretamente possível. “Começámos a ver que havia em Lisboa um movimento muito interessante, que a cidade estava a crescer e o mercado iria crescer”, recordou.
Apesar de nunca desligar totalmente do trabalho, Cardoso Botelho escreveu esta semana uma mensagem aos amigos para dizer que ia iniciar um projeto autónomo e também “descansar um pouco”. Nesse período de pausa e reflexão, deverá aproveitar para se dedicar a leituras que o inspiram profissionalmente, como o livro “Principles”, do investidor Ray Dalio, e à série “Billions”, que explora os jogos de poder e do mundo financeiro.