Uma boa vizinhança é importante, mas a Suécia teve azar, com a Rússia ali ao lado. O caça Gripen E foi criado a pensar, precisamente, num ataque russo à Suécia. Os aeroportos são das primeiras infraestruturas a serem atacadas numa guerra, e é por isso que o caça Gripen consegue aterrar numa estrada no meio do campo. Por ter estado fora da NATO durante décadas, o país escandinavo não esteve com meias medidas e criou o seu próprio avião.
E é aqui que é possível fazer uma comparação com a também sueca Ikea ou a dinamarquesa Lego. Uma das suas vantagens é que é mais barato do que os seus concorrentes diretos, destaca a empresa, logo menos dinheiro a ser pago pelos contribuintes. Outras das mais-valias é que pode-se juntar mais software para ganhar novas capacidade, e os clientes podem modelar o avião à sua maneira, perante as suas necessidades. Em suma, mais barato e eficaz, segundo a companhia de Estocolmo.
Agora, a Saab tenta vender o seu caça a outros países, como Portugal, sendo uma das duas produtoras mundiais de aviões de combate que têm estado ativas no país nos últimos tempos numa ofensiva diplomática para tentar ganhar pontos na corrida à venda de aeronaves.
“É um avião muito eficiente em termos de custos. Foi desenhado assim desde o primeiro dia, isto não é algo que possa ser mudado posteriormente”, disse Daniel Boestad da SAAB, apontando que, tendo em conta o ciclo de vida total da aeronave, os custos ficam em cerca de um terço de alguns dos seus concorrentes mais diretos, não revelando valores. Um F-35, por exemplo, em um preço-base de produção de 70 milhões de euros.
“O Gripen foi desenhado para operar fora da base principal, se as bases principais são atacadas é preciso mover os alvos. Conseguimos operar a partir de uma estrada normal, com uma pequena equipa para operar o avião”, segundo o vice-presidente da Saab para a unidade do Gripen num encontro com jornalistas em Lisboa na quinta-feira.
Outra das mais-valias da aeronave, segundo a companhia, é a capacidade de adaptação da tecnologia com que o avião opera: basta atualizar o software para consegue acrescentar funções. “Podemos facilmente melhorar a função tática. Se houver uma nova ameaça, podemos introduzir no sistema. Antes demorava meses ou anos, agora é muito mais rápido”.
O tema da substituição dos F-16 ainda não foi lançado, pelo menos publicamente, mas no setor da defesa há quem defenda que o país deveria acelerar, pois o processo de escolha e as entregas demoram uns bons anos.
Os suecos da Saab, que fabricam o Gripen E, e os norte-americanos da Lockheed Martin, que produzem o F-35, têm estado a forjar parcerias com entidades nacionais. A mais recente foi a assinada pela Saab com a Critical Software e a OGMA-Indústria Aeronáutica de Portugal. Para já, há um memorando de entendimento que visa a exploração de oportunidades.
Entre o modelo sueco e norte-americano há algumas diferenças, pois o Gripen é mais rápido do que o F-35 (Mach 2.0 vs Mach 1.6) e com uma maior autonomia em modo de combate (1.300 km vs 1.100 km). A grande vantagem do F-35 é a capacidade de camuflagem, para desaparecer no radar do inimigo.