João Rodrigues Pena, Empresário, Gestor e Consultor

O aniversário

As celebrações de aniversários de empresas em datas “redondas” estão na moda e fazem sentido. No entanto, muitas das empresas familiares têm caído em modelos estereotipados que não refletem a exclusividade ou o profissionalismo que deseja projetar. São mais como casamentos... mas sem os noivos.

“Remember to celebrate milestones as you prepare for the road ahead”, Nelson Mandela

São sete da tarde. Luís e Helena deixam a festa dos 80 anos da Cerâmicas O Triste Viúvo e arrancam para casa “Bolas Luís que seca, parece que nunca mais acabava”; “Tens razão Helena, estas festas são todas iguais. Ainda bem que vieste desta vez sempre tive companhia”; “Pois olha Luís garanto-te que esta vez foi a última, nem que seja o aniversário do Leo Di Caprio no iate dele em St Barth.”

As celebrações de aniversários de empresas em datas “redondas” estão na moda e fazem sentido – uma Família acionista sabe bem que celebrar um marco na vida da empresa é uma oportunidade valiosa para fortalecer relações, aumentar a moral e impulsionar o negócio. No entanto, muitas das empresas familiares têm caído em modelos estereotipados que não refletem a exclusividade ou o profissionalismo que deseja projetar. São mais como casamentos… mas sem os noivos.

António, prestigiado advogado de Coimbra, não podia recusar o convite para três comemorações quase seguidas. Passado um mês, já misturava as festas todas – as pessoas, a comida, os artistas, o vídeo ou os discursos. Para ele, os eventos tinham sido todos iguais e nenhum o marcou.

Se este é infelizmente o padrão, a Família procura o contrário – querem marcar a audiência de forma distintiva e emocional e deixando clara a personalidade única da empresa. Criar um evento memorável para disseminar os atributos únicos da empresa, promover a marca, enaltecer o legado familiar, partilhar a riqueza da história da empresa e aliciar a audiência com uma visão futura inovadora e apelativa. Com elegância e muito boa disposição.

A ARBORIS é por vezes chamada para assessorar informalmente as Famílias suas clientes neste tema. Retemos sempre que toda a Família tem de estar envolvida para promover um sentimento de pertença e que tem de haver uma grande dose de criatividade, inteligência e atenção ao detalhe – o que exige ir buscar um perito em eventos corporativos experiente e exigente capaz de criar o evento personalizado e memorável que se procura. E isto vai ter de resultar numa organização irrepreensível.

Primeiro, enviar os convites deixando claros o traje e o Programa da Cerimónia. Parece um lugar-comum, mas não é – estive há meses numa celebração em que cada um estava vestido à sua maneira e à mesa a conversa era especular sobre o que ia acontecer e a que horas. Sem estes cuidados a empresa está a passar uma imagem de amadorismo, displicência nos detalhes e até provincianismo. Está a erodir a sua reputação.

Segundo, o cocktail. O que as pessoas querem é fazer networking e por isso os membros da família e os altos quadros da empresa devem rodar pela sala para ter a certeza de que ninguém está sozinho e apresentar as pessoas umas às outras. Conhecer novas pessoas é algo que vai ficar na memória dos convidados – e é tão raro ver praticada esta atenção.

Terceiro, o almoço, o coração da cerimónia. Com os convidados nas mesas, antes, durante e logo depois do almoço é a altura perfeita para os momentos altos e não faltam ideias de iniciativas distintivas e personalizadas…

  1. Um vídeo institucional cativante enaltecendo a história, os produtos e os mercados e sobretudo as pessoas – as palavras de uma dezena de colaboradores de diferentes áreas “porque estou aqui e vou continuar aqui” testemunhos do humanismo da empresa, do carácter dos seus líderes e da qualidade das relações pessoais internas.
  2. Prémios a colaboradores mais antigos, deixando que cada um deixe algumas palavras no palco o que os convidados adoram, uma forma nobre de reconhecer os mais fiéis colaboradores, reforçar a lealdade e motivação de toda a organização… e marcar os convidados.
  3. O discurso do presidente – nada de agradecimentos, ele tem é de vender a Família, o legado e a marca com credibilidade, humor e empatia. Acima de tudo o presidente deve anunciar algo novo, inédito e marcante – uma ambição, uma aquisição, uma visão ou o seu sucessor, algo que faça manchete nos jornais do dia seguinte e seja memorável para todos. É a cereja no topo do bolo.
  4. Finalmente, depois do brinde e da música, a despedida, que tem de ser um momento especial. Um membro da família entrega pessoalmente a cada convidado o souvenir do evento, um presente de aniversário da empresa que seja atencioso, exclusivo e atraente. Um presente que vai ajudar os convidados a respeitar ainda mais a empresa e a Família, agora e no futuro.

Mas este roteiro está muito longe de ser uma receita, há muito espaço para iniciativas que unam todos os presentes na cerimónia e criem memórias duradouras… porque não criar produtos ou serviços de edição limitada que celebrem a ocasião, envolver os media para fortalecer a notoriedade da empresa ou documentar o evento com um vídeo onde os convidados são os protagonistas – breves entrevistas que os vão deixar orgulhosos e nunca se esquecerem desta celebração?

No final, a energia e a inspiração da celebração vão tornar a próxima geração mais motivada e ambiciosa, os colaboradores mais orgulhosos e os convidados com ainda mais admiração e respeito pela empresa e pela família. E mais do que o prazer dos convidados e dos anfitriões numa bela festa, o verdadeiro valor destas celebrações vai estar no reforço da energia e da reputação para acelerar o desenvolvimento da empresa e reforçar a união no seio da Família. Lembre-se quando preparar a sua próxima celebração.

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