Municípios querem maior protagonismo no “desenho e na implementação do PTRR”

“Os municípios portugueses e a ANMP estarão sempre disponíveis para fazer parte da solução e para trabalhar em equipa com as demais entidades da Administração Pública e com o Governo. Mas é necessário que sejam consideradas devidamente no desenho e na implementação do PTRR”, destaca a Associação.

Municípios querem maior protagonismo no “desenho e na implementação do PTRR”
TIAGO PETINGA/LUSA

A Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) enviou ao Governo um pacote de contributos para o Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), em que solicita um maior protagonismo dos municípios no desenho e na implementação deste programa.

“Os municípios portugueses e a ANMP estarão sempre disponíveis para fazer parte da solução e para trabalhar em equipa com as demais entidades da Administração Pública e com o Governo. Mas é necessário que sejam consideradas devidamente no desenho e na implementação do PTRR”, destaca a Associação.

No pacote de contributos enviado ao Governo na última quinta-feira, a ANMP recorda que os municípios estiveram “na linha da frente” do apoio às populações, devendo por isso fazer parte ativa na definição das políticas e investimentos a implementar.

“Os municípios têm de ter uma palavra a dizer e fazer parte da solução!”, acrescenta.

No que toca a abrangência territorial das medidas do PTRR, a ANMP alerta para a importância de todos os municípios afetados serem abrangidos pelas medidas de apoio criadas e não apenas os 90 em situação de calamidade.

“É indispensável concluir a inventariação de prejuízos, correta e integral, trabalho difícil que já foi desenvolvido pela grande maioria dos municípios afetados, impondo-se agora a validação e compilação da informação recolhida, para desenho adequado das medidas a adotar”, refere.

No documento, a que a agência Lusa teve acesso, a ANMP indica que o desenho do plano e o seu modelo de gestão “deverão ser tão descentralizados quanto possível”, envolvendo entidades com experiência no terreno e na gestão de fundos, como as comissões de coordenação e desenvolvimento regional, entidades intermunicipais e os próprios municípios, “evitando a intervenção de entidades da Administração Central do Estado em matérias em que essa intervenção não traga valor acrescentado”.

No plano financeiro, a associação advoga a criação de um pacote financeiro robusto para apoio à reconstrução dos municípios afetados pelas intempéries, “com a dimensão necessária e verbas a fundo perdido, sob pena de acentuar ainda mais o fosso entre os diferentes territórios”.

“Relativamente à forma dos apoios, o modelo de financiamento do PTRR deve reconhecer que a utilização de subvenções não reembolsáveis constitui um instrumento essencial para viabilizar investimentos estruturantes que, pela sua natureza pública, territorial e coletiva, não geram retorno financeiro direto para suportar mecanismos de reembolso”, indica.

O documento alude ainda à “indispensável reforma da Administração Local”, que exige “um novo enquadramento para a atuação municipal, mais transparente, previsível, flexível e responsável”.

Para tal, a ANMP defende uma reforma integrada da Administração Local, com foco na eficiência, proximidade e modernização, repensando várias dimensões essenciais: dimensão territorial e organização; dimensão das competências e descentralização; dimensão financeira e fiscal; dimensão da digitalização e modernização administrativa; e dimensão de organização e funcionamento.

Os municípios reiteram ainda a necessidade de adoção urgente de medidas excecionais para os municípios afetados, entre elas a flexibilização das regras orçamentais e de endividamento, a facilitação do acesso a empréstimos de curto prazo e o adiamento de obrigações legais e de reporte de informação à Direção Geral das Autarquias locais (DGAL) e à Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR).

Propõem ainda a criação de regimes especiais para municípios em dificuldades financeiras, a simplificação e flexibilização dos fundos do Portugal 2030 e o adiamento ou adaptação dos prazos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), garantindo financiamento adequado para projetos que não possam ser concluídos dentro dos prazos previstos.

Relacionado

Lufthansa irá arcar com eventuais remédios diretamente para entrar na TAP, afirma Governo

Lufthansa irá arcar com eventuais remédios diretamente para entrar na TAP, afirma Governo

Respondendo a perguntas da líder parlamentar do PCP Paula Santos sobre a operação, Hugo Espírito Santo lembrou que “existe o compromisso de que o comprador irá arcar com os remédios regulatórios diretamente”, mas rejeitou especular sobre as condições e obrigações que o executivo comunitário possa vir a decidir enquanto guardião dos tratados europeus em matéria de concorrência.