Microsoft lança IA própria visando ‘libertar-se’ da OpenAI

A gigante tecnológica norte-americana aproveitou a sua conferência anual em São Francisco para programadores, a Microsoft Build, para lançar o MAI-Thinking-1, o seu primeiro modelo de "raciocínio" — IA que decompõe um problema passo a passo antes de fornecer uma solução.

Microsoft lança IA própria visando ‘libertar-se’ da OpenAI
A man stands inside the Microsoft Experience Center in New York City, U.S., January 18, 2023. REUTERS/Shannon Stapleton

A Microsoft revelou terça-feira os seus próprios modelos de inteligência artificial (IA) de ponta, visando reduzir a sua dependência do criador do ChatGPT, a OpenAI.

A gigante tecnológica norte-americana aproveitou a sua conferência anual em São Francisco para programadores, a Microsoft Build, para lançar o MAI-Thinking-1, o seu primeiro modelo de “raciocínio” — IA que decompõe um problema passo a passo antes de fornecer uma solução.

Com esta ferramenta, ainda apenas disponível para alguns clientes, o laboratório de IA do grupo, que sofreu uma grande reformulação em março, chega cerca de um ano e meio depois de pioneiros do setor como a OpenAI, a Google e a Anthropic.

“É importante que sejamos autossuficientes”, defendeu Sophie Lebrecht, uma das novas investigadoras de IA da Microsoft.

O novo modelo de raciocínio, adiantou, foi construído “de raiz”, sem a prática comum na indústria de “destilar” (copiar) o que já existe de melhor, de forma a ter bases “perfeitamente limpas, comercialmente sólidas e de nível profissional”.

Desde o ano passado, o grupo deixou de estar exclusivamente ligado à OpenAI e detém apenas uma licença para a sua tecnologia até 2032.

Mustafa Suleyman, responsável da Microsoft AI, encarregue de desenvolver uma “superinteligência humanística”, segundo a terminologia da empresa, apresentou também hoje outros modelos originais, para a geração de imagens, transcrição, criação de vozes sintéticas e programação.

O CEO da Microsoft, Satya Nadella, cuja empresa compete ferozmente com a Amazon e a Google no setor da computação online, encerrou a conferência prometendo às empresas “um ecossistema construído à volta” destas, “ao contrário de alguns modelos que simplesmente têm sede de todos os dados”.

A empresa apresentou também um mini-PC com um chip Nvidia para programadores, o Surface RTX Spark Dev Box, capaz de executar modelos de IA offline, bem como uma plataforma de IA dedicada à investigação científica e um novo chip quântico, o Majorana 2.

A gigante norte-americana demonstrou principalmente a sua intenção de apanhar a onda da chamada IA ​​​​”agente”, que transformou a tecnologia de um simples ‘chatbot’ num assistente que age em seu nome, apresentando o Microsoft Scout.

A chegada do Scout, o primeiro de uma série de assistentes “sempre ativos” mesmo quando o computador está desligado (preparar reuniões, gerir calendários, escrever e-mails), dá continuidade a mais de trinta anos de esforços da Microsoft para construir o assistente ideal, desde o avatar Bob até à ainda limitada adoção do Copilot (20 milhões de licenças pagas nas empresas).

Para esta nova era, a Microsoft revelou uma aposta no hardware: um ecossistema de dispositivos Android concebidos para interagir com agentes de IA utilizando comandos de voz, sem a necessidade de abrir aplicações como num computador ou telemóvel.

Em palco, a empresa apresentou dois protótipos: uma espécie de altifalante de secretária com ecrã, que reconhece o utilizador pelo rosto, exibe as suas tarefas do dia e pode funcionar como um computador quando ligado a um ecrã; e um crachá para conversar com o agente de IA, desenvolvido em parceria com a Qualcomm.

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