O lucro da Jerónimo Martins caiu 14,5% nos primeiros nove meses, face a igual período de 2025, para 414 milhões de euros, divulgou, esta quarta-feira, 28 de outubro, a dona da cadeia de supermercados Pingo Doce.
Em igual período, as vendas cresceram 4,8% para 27.815 milhões de euros, adianta o grupo em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) cresceu 7,6% para 1.950 milhões de euros.
E o fluxo de caixa ficou negativo em 183 milhões de euros. “Incluindo a execução de 603 milhões de euros do programa de investimento e o pagamento de 408,5 milhões de euros em dividendos, e excluindo a IFRS16, o Grupo encerra o período com uma posição líquida de caixa de 118 milhões de euros. Adicionando a capitalização das locações (“direitos de uso”), a dívida líquida cifra–se em 4,4 mil milhões de euros”, referiu o grupo.
“A disciplina operacional, a melhoria do mix de vendas e o reforço das propostas de valor permitiram ao Grupo crescer, manter preços competitivos e melhorar as margens EBITDA em todas as áreas de negócio”, justificou.
A empresa disse que os primeiros nove meses do ano decorreram num “ambiente de elevada incerteza geopolítica”, marcado, no retalho alimentar, por desinflação – que, na Polónia, passou a deflação –, “pelo foco mais forte dos consumidores em preços baixos e promoções, pela grande intensidade concorrencial, e pelo aumento dos custos relacionados com os combustíveis”.
Neste contexto, as insígnias do grupo mantiveram o consumidor no “centro das suas decisões, reforçando a aposta em preços competitivos e numa dinâmica promocional intensa”, ao mesmo tempo que asseguraram uma “oferta de qualidade e a implementação de melhorias contínuas” da experiência de compra
No mercado polaco, referiu a organização, a equipa da Biedronka respondeu com “determinação e resiliência” aos desafios no mercado e “reforçou” o seu posicionamento competitivo. “A nossa maior insígnia entregou um crescimento expressivo dos volumes e mitigou os impactos da forte deflação registada no cabaz, apresentando um sólido desempenho de vendas e margem”, salientou.
Na Polónia, as vendas da cadeia de supermercados Biedronka cresceram 0,7% para 18,9 mil milhões de euros (+1,3% em moeda local) e o LFL [‘Like-For-Like’, ou seja, vendas em lojas que operaram sob as mesmas condições no período em análise] “foi de -0,4%, incluindo, por um lado, um significativo crescimento de cerca 5% dos volumes e, por outro lado, um forte nível de deflação no cabaz”. O EBITDA aumentou 4,2% (+5,0% em moeda local).No período, a Biedronka “inaugurou 54 novas lojas (25 adições líquidas) e um novo centro de distribuição, tendo remodelado 155 localizações”.
No terceiro trimestre as vendas, em moeda local, subiram 0,2%, atingindo, em euros, 6,3 mil milhões, 1,3% abaixo do período homólogo. “Pressionado pela deflação no cabaz, que se deteriorou versus o segundo trimestre, o LFL foi de –1,8%, incluindo um crescimento de volumes de 5%”, referiu.
Também na Polónia, a cadeia de saúde e bem-estar Hebe “operou num enquadramento de renovada pressão competitiva em preço, que acentuou a deflação no cabaz”, refere o grupo. As vendas em moeda local “registaram um crescimento de 4,7%, com o LFL a situar-se em 1,7%” e, “em euros, as vendas totalizaram 469 milhões, correspondendo a um aumento de 4,0%” face a igual período do ano passado. O EBITDA foi de 46 milhões de euros, 22,3% (+23,1% em moeda local) acima do ano anterior. Entre janeiro e setembro, a Hebe abriu 25 lojas no mercado polaco, encerrando o período com um total de 419 localizações.
No terceiro trimestre as vendas subiram 2,1% (3,6% em moeda local) para 157 milhões de euros, com a contribuição de 0,3% do LFL.
De acordo com Pedro Soares dos Santos, presidente e administrador-delegado da Jerónimo Martins, os primeiros nove meses do ano foram “particularmente marcado pela pressão sobre os preços alimentares na Polónia e pela acentuada procura das famílias por preços baixos e promoções”.
O responsável indica que a época de Natal e Ano Novo é importante para finalizar o exercício em 2026, indicando que “o ambiente competitivo se mantenha muito exigente e não se espere o alívio da pressão dos custos com combustíveis sobre os negócios e sobre os rendimentos das famílias”.
Vendas do Pingo Doce aumentam 4,1% nos primeiros nove meses do ano
Em Portugal, a inflação alimentar situou-se em 3,1% nos primeiros nove meses do ano (2,3% no terceiro trimestre de 2026) baixos e campanhas promocionais. As vendas do Pingo Doce aumentaram 4,1% para 4,1 mil milhões de euros, com um Like for Like [vendas comparadas entre dois períodos] de 2,4% (excluindo combustível). No que respeita ao terceiro trimestre do ano, as vendas cresceram 2,0%, para 1,4 mil milhões de euros, com um desempenho Like for Like estável (excluindo combustível). Nos primeiros nove meses do ano, o Pingo Doce abriu duas novas lojas e remodelou 25.
O grossista Recheio viu as vendas a subirem 1,5%, para 1,1 mil milhões de euros, com o LFL a fixar-se em 0,2%. O EBITDA da Distribuição Portugal ascendeu a 306 milhões de euros, 6,4% acima de igual período de 2025.
No terceiro trimestre, e refletindo também o “abrandar” da inflação no cabaz, o Recheio “manteve as vendas estáveis” em 391 milhões de euros, com um LFL de –1,6%. “O EBITDA da Distribuição Portugal ascendeu a 306 milhões de euros, 6,4% acima dos primeiros nove meses de 2025, com a margem EBITDA a evoluir para 5,9%, acima dos 5,8% registados nos primeiros nove meses de 2025. A disciplina operacional das insígnias, combinada com o desempenho das vendas, permitiu proteger a margem num período marcado pelo agravamento expressivo dos preços dos combustíveis”, acrescentou.
Já na Colômbia, na cadeia de supermercados Ara, as vendas aumentaram 20,6% em moeda local, “impulsionadas por um LFL de 8,2%”. Em euros, “atingiram 3,2 mil milhões no período, correspondendo a um crescimento de 37,9%” homólogo. Entre janeiro e setembro, a Ara abriu 85 novas lojas, que se traduzem em 68 adições líquidas, tendo inaugurado ainda um novo centro de distribuição.
“Face aos primeiros nove meses de 2025, o EBITDA aumentou 62,6% (+42,3% em moeda local) para os 151 milhões
de euros, com a margem a subir para 4,7% (4,0% nos 9M 25), refletindo o foco no crescimento LFL, o aumento da escala da operação e uma gestão muito disciplinada dos custos”, salientou a empresa.
No terceiro trimestre as vendas aumentaram 52,7% (19,8% em moeda local) para 1,2 mil milhões de euros, com um LFL de 11,0%.
Atualizado às 22h00