Lagarde reforça que subida de juros em junho foi a decisão acertada a tomar

"Fizemo-lo porque tínhamos as condições monetárias perfeitas para tal", resumiu a presidente do BCE, apontando à tendência da inflação, ao indicador subjacente e à transmissão da política monetária. Estagflação "é um conceito dos anos 70" e distante da situação atual, acrescentou.

Lagarde reforça que subida de juros em junho foi a decisão acertada a tomar
Photo from the ECB Press Conference in Florence, where ECB President Christine Lagarde, Fabio Panetta, Governor of the Bank of Italy and Vice President Luis de Guindos present the latest monetary policy decision and answer questions from journalists. Florence, 30 October 2025.

O Banco Central Europeu (BCE) subiu taxas na mais recente reunião de política monetária porque era a decisão acertada a tomar, defendeu novamente a presidente Christine Lagarde, apontando a uma série de indicadores na zona euro. Apesar da pressão nos preços, a estagflação é um termo ultrapassado e que não corresponde ao atual cenário na moeda única, reforçou.

No painel de política monetária realizado esta quarta-feira no Fórum BCE, em Sintra, a presidente do banco central considerou que as circunstâncias pediam uma subida de juros no arranque deste mês, ainda que os seus homólogos britânico e norte-americano não tenham optado pela mesma via.

“Fizemo-lo porque tínhamos as condições monetárias perfeitas para tal”, começou por explicar, lembrando os fenómenos verificados no indicador subjacente e na tendência da inflação, mas também na força da transmissão da política monetária à economia real. “Levamos tudo isso em linha de conta quando tomamos a decisão.”

Com a subida de 25 pontos base (pb), que levou a taxa de referência na Europa a 2,25%, os juros diretores da zona euro aproximaram-se dos norte-americanos, entre 3,5% e 3,75%, e dos britânicos, atualmente em 3,75%. Ainda assim, Lagarde não vê no diferencial um problema e recorda o contexto.

“Partimos de posições diferentes”, explicou, contrastando com os seus colegas de painel Kevin Warsh, presidente da Fed norte-americana, e Andrew Bailey, o governador do Banco de Inglaterra.

Questionada novamente sobre o risco de a zona euro cair numa situação de estagflação, Lagarde repetiu a sua visão e afastou esta possibilidade. O contexto atual é bastante distinto do dos anos 70, quando a Europa caiu nesta crise, pelo que a presidente do BCE se mostrou pouco preocupada.

“A estagflação é um conceito dos anos 70. Agora estamos em níveis historicamente baixos de desemprego […] e estamos a tomar todos os passos para assegurar a estabilidade de preços”, atirou. “Não vamos deixar o génio escapar.”

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