A expressão “bicho de sete cabeças” vem à memória ante a proposta do Museu da Marioneta, no Convento das Bernardas, em Lisboa. Não por anteciparmos problemas ou complicações irresolúveis, mas pela diversidade de máscaras que têm formas de animais. E só por acaso não haverá uma “com sete cabeças”! Poderia acontecer se um demónio vindo do Extremo Oriente se tivesse juntado a este “zoo” tão peculiar.
Boa parte desta extraordinária “fauna” pertence à Coleção Francisco Capelo, sendo que a maioria das peças agora expostas vieram das reservas do museu. O poder destes objetos-peças-esculturas vem amiúde dos traços e feições humanos que os seus autores lhes imprimiram. Têm o seu quê de orgânico e povoam a antiga capela do edifício, que vai acolher “Animais” até dia 27 de novembro.
As geografias donde são oriundas variam. Da Colômbia vieram caras enormes de um babuíno, um crocodilo, uma zebra, um tigre, todas ornadas com uma imponente coroa de penas coloridas, qual chefe de uma tribo. Do Mali veio uma marioneta de vara, feita em madeira, que representa uma girafa. A criatividade mandou que tenha uns cornos azuis esguios e afiados, umas orelhas proeminentes, com riscas em rosa, um focinho laranja e um dorso vermelho e verde.
Mesmo sendo mais de uma centena de máscaras e marionetas, a ideia não é revelar aqui todas. Embora seja difícil não mencionar a marioneta vinda de Bali, Indonésia, assombrosa com os seus mais de três metros comprimento, chamada Barong Ket. É uma incarnação do rei dos espíritos e são precisas duas pessoas para manuseá-la, na cabeça e na cauda.
E não mais revelamos, a não ser que se trata de uma experiência sensorial extraordinária, dada a riqueza e diversidade das peças escolhidas. Bem como os universos representados, que oscilam entre o ascético, o demoníaco e o divino, o pavoroso e o festivo, em diálogo com os núcleos da exposição permanente do museu.
E lembrar que há duas visitas no mês de novembro, nos dias 5 e 19, às 15h00, orientadas pelo Serviço Educativo do Museu da Marioneta, para conhecer melhor as marionetas e máscaras expostas, a sua história ancestral e os contextos em que são utilizadas.