Guiné-Bissau: Forças de ordem ocupam sede nacional do PAIGC

A operação acontece no dia em que termina o prazo dado pelo Alto Comando Militar, que protagonizou o golpe de Estado em novembro passado, para que as instalações de partidos políticos se afastem até 500 metros das sedes de órgãos de soberania, hospitais, embaixadas, quartéis militares e esquadras da polícia.

Guiné-Bissau: Forças de ordem ocupam sede nacional do PAIGC
Guiné-Bissau

Forças da ordem invadiram esta quarta-feira, 23 de setembro, a sede do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) na Praça dos Heróis Nacionais, a escassos metros da Presidência da República, em Bissau, noticiou a comunicação social guineense.

De acordo com a rádio televisão Bantaba, consultada pela Lusa nas redes sociais, a operação foi conduzida por elementos da Polícia de Ordem Pública e da Guarda Nacional.

A operação acontece no dia em que termina o prazo dado pelo Alto Comando Militar, que protagonizou o golpe de Estado em novembro passado, para que as instalações de partidos políticos se afastem até 500 metros das sedes de órgãos de soberania, hospitais, embaixadas, quartéis militares e esquadras da polícia.

As sedes nacionais do PAIGC e do Movimento para a Alternância Democrática (Madem G-15) situam-se a escassos metros do palácio da presidência, na capital guineense.

O portal Bissau Online relatava na sua página numa rede social que as forças de ordem arrombaram as portas de vários gabinetes do PAIGC “para forçar o despejo” do imóvel.

A plataforma lembra que a Comissão Permanente do partido, reunida virtualmente na semana passada, repudiou “veementemente” a intenção do Alto Comando Militar de forçar a desocupação da sede, considerou a “medida sem legitimidade e base legal” e lembrou que apenas caberia à justiça avançar com a exigência.

A mesma fonte afirma que o PAIGC não foi notificado formalmente da decisão dos militares de desocupação da sede e que a ação levada a cabo hoje “é a materialização de intenções manifestadas anteriormente pelo ex-Presidente, Umaro Sissoco Embaló”.

Outras fontes consultadas pela Lusa nas redes sociais indicam que as forças de ordem colocaram uma placa diante da sede do PAIGC onde se lê que o imóvel constitui “património do Estado”.

Os militares guineenses protagonizaram um golpe de Estado em 26 de novembro de 2025, um dia antes da publicação dos resultados de eleições legislativas e presidenciais, e afastaram do poder o então Presidente, Umaro Sissoco Embaló.

Criaram um Conselho Nacional de Transição (CNT), que assumiu as competências do parlamento, e nomearam Ilídio Vieira Té primeiro-ministro e ministro das Finanças.

A oposição considerou que se tratou de um golpe de Estado encenado para permitir que Sissoco Embaló, que vive regularmente em Marrocos desde o golpe, regresse ao poder através de novas eleições presidenciais e legislativas marcadas pelos militares para 06 de dezembro.

*** A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto de 2025 após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância ***

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