Donald Trump quer ver Viktor Orban a liderar as Nações Unidas (ONU) após a saída de António Guterres.
Responsáveis do Governo norte-americano estão a promover a candidatura do antigo primeiro-ministro húngaro, revela o “Wall Street Journal”.
O nome poderá vir a contar com o apoio de três membros permanentes do todo-poderoso Conselho de Segurança: EUA, Rússia e China, mas o processo ainda está numa fase inicial.
O populista Viktor Orban liderou a Hungria durante 16 anos, mas perdeu as eleições este ano para Peter Magyar do partido Tisza.
Conhecido pela sua retórica anti-imigração, anti-LGBT, pró-Rússia e eurocética, a sua liderança ficou marcada por vários momentos de tensão com os países da União Europeia e da NATO.
Apesar disso, Orban manteve relações próximas tanto com Donald Trump, como com Vladimir Putin e com Xi Jinping.
A ideia de Washington é que Orban seja o candidato das três potências, após o fim do segundo mandato de cinco anos de António Guterres a 31 de dezembro.
“Se os EUA, Rússia e China quiserem o mesmo para o Conselho de Segurança da ONU, geralmente conseguem-no”, disse um dos responsáveis do Governo norte-americano ao “Wall Street Journal”, com Washington e Pequim a não fazerem comentários.
Já o ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros da Rússia disse que um apoio conjunto não significa a eleição do secretário-geral da ONU.
“Nem a Rússia, nem os EUA, nem a China vão nomear Orban só por serem membros do Conselho de Segurança, e não nomeamos ninguém para a posição de secretário-geral. Vamos discutir todas as pessoas nomeadas oficialmente para o cargo”, disse Aleksandr Alimov.
Tanto o Governo polaco como o ucraniano já rejeitaram o nome de Viktor Orban para o cargo.
Um candidato tem de ter o apoio de, pelo menos, nove dos 15 membros do Conselho de Segurança, mas qualquer um dos cinco membros permanentes pode vetar a nomeação: Rússia, China, EUA, Reino Unido e França.
Viktor Orban até poderia concorrer, mas somente se tivesse a vitória assegurada, o que não é o caso, segundo o “WSJ”.
Um porta-voz de Orban tem vindo a rejeitar o interesse do político no cargo, apelidando de “fake news” as notícias que têm saído.
Apesar de vários membros do seu Governo estarem a ser investigados pela justiça húngara, Viktor Orban não está. Mas o cargo de secretário-geral garante-lhe imunidade diplomática.