Um estudo da Amazon Web Services revela que simplificar a contratação pública na Europa pode criar 1,8 milhões de empregos e desbloquear 117 mil milhões de euros em Valor Acrescentado Bruto para as PME digitais europeias.
Apesar de as PME de perfil digital da Península Ibérica estarem entre as mais avançadas da Europa na adoção de tecnologia, 68% considera os processos de contratação pública demasiado complexos, o que leva a que 43% nunca tenha sequer considerado competir neste mercado, avaliado em 2 biliões de euros anuais. Esta é a principal conclusão do novo estudo “Simple, digital-first procurement: the path to adding 1.8 million new jobs to Europe’s digital SMEs”, realizado pela Strand Partners a pedido da Amazon Web Services (AWS).
O estudo completo detalha as principais barreiras que limitam o acesso das PME ibéricas aos concursos públicos e propõe um plano de quatro pontos para modernizar os sistemas de contratação, tornando-os mais simples, digitais e acessíveis.
O relatório, que inquiriu 3.000 PME europeias de perfil digital, revela um paradoxo: enquanto as PME ibéricas demonstram uma maturidade tecnológica superior à média europeia, com 62% a utilizar Inteligência Artificial ou Machine Learning (versus 48% na UE) e 60% a usar cloud computing, o seu acesso a concursos públicos continua a ser limitado pela complexidade, custos e inconsistência dos processos.
Potencial por explorar em Portugal e Espanha
Apesar da sofisticação tecnológica, o ecossistema de inovação ibérico está a ser subaproveitado, conclui a AWS.
Os dados mostram que 43% das PME digitais locais nunca consideraram participar num concurso público, um número alinhado com a média europeia. No entanto, o “apetite” para o futuro é menor, com apenas 49% a verem a contratação pública como parte da sua estratégia de crescimento, em contraste com 57% no resto da Europa.
O estudo identifica as principais barreiras para estes dados. Nomeadamente a complexidade excessiva: 68% das PME ibéricas consideram os processos demasiado complexos. Mas também a necessidade de documentação exaustiva: 37% apontam a documentação complexa como um fator de dissuasão. Por fim os requisitos inflexíveis estão entre as barreiras, uma vez que 39% são desencorajadas pela inflexibilidade dos requisitos dos concursos.
“Portugal tem um ecossistema de PME digitais altamente competente e preparado para inovar. Ao tornar a contratação pública mais simples e digital desde a origem, criamos as condições para que esse talento contribua de forma mais ativa para projetos públicos, desbloqueie crescimento económico, gere emprego qualificado e acelere a modernização dos serviços que impactam cidadãos e empresas”, defende André Rodrigues, Porta-voz da AWS em Portugal, Head of Technology Software & Tech Companies para a Europa do Sul da AWS.
Desistências
A nível europeu, o cenário é desafiante: mais de sete em cada dez PME digitais ou não participam em processos de contratação pública (43%), desistem a meio (14%) ou obtêm um retorno baixo do seu investimento (12%).
Na Península Ibérica, a resiliência parece ser ligeiramente maior. Embora quatro em cada dez empresas (42%) que iniciam um concurso acabem por desistir, este é o número mais baixo entre os países analisados e fica abaixo da média europeia de 47%. As principais razões para a desistência são os processos demasiado complexos (60%) e a documentação excessiva (44%).
Questionadas sobre o que as incentivaria a participar mais nos concursos públicos, as PME ibéricas são claras. quando respondem que a simplificação e redução da documentação (49%), a criação de plataformas de concurso mais fáceis e consistentes (49%) e a definição de critérios de qualificação mais claros (46%) são apontadas como as mudanças mais urgentes.
Relatório da AWS propõe um plano de quatro pontos para desbloquear o potencial das PME digitais na contratação pública
Perante as conclusões obtidas, o relatório da AWS propõe um plano de quatro pontos para desbloquear o potencial das PME digitais na contratação pública e modernizar os sistemas de contratação, tornando-os mais simples, digitais e acessíveis.
Um é o diálogo entre compradores públicos e fornecedores: Promover um entendimento mútuo entre compradores e fornecedores antes do lançamento dos concursos, através de mecanismos estruturados de consulta, programas de formação para compradores públicos e orientações em linguagem clara dirigidas às PME.
Depois, a divulgação e acesso às oportunidades de contratação pública. Criar um portal digital único de contratação pública à escala da UE, com normas harmonizadas e interfaces técnicas abertas (APIs) – que permitem a ligação e partilha automática de informação entre diferentes plataformas – tornando as oportunidades mais visíveis, acessíveis e fáceis de encontrar.
Também a simplificação da apresentação e avaliação das propostas, ou seja, tornar os procedimentos mais simples através de modelos normalizados, prazos de adjudicação mais curtos e ferramentas de avaliação assistidas por inteligência artificial, reduzindo os encargos administrativos e reforçando o foco no valor das propostas.
Na lista de propostas surge a gestão dos contratos e apoio ao crescimento das PME A AWS defende que é preciso implementar sistemas de faturação eletrónica que garantam pagamentos atempados, utilizar ferramentas de gestão contratual baseadas na cloud e incentivar a apresentação de propostas conjuntas, apoiando o crescimento e a escala das PME.
A implementação destas reformas, defende o estudo, pode transformar os contratos públicos num motor de crescimento, acelerar a transformação digital da Europa e reforçar a competitividade global.