Ninguém tinha dúvidas – nem o próprio – que o caminho de Alberto Núñes Feijóo até à presidência do próximo governo de Espanha é muito estreito, mas é cada vez mais evidente que esse caminho tende a transformar-se num beco sem saída. A opção mais clara para o líder do Partido Popular (PP), que ganhou as eleições de 23 de julho, era à partida convencer os independentistas do Junts per Catalunya (ideologicamente próximos do conservadorismo de direita) a ‘trair’ a ligação a Pedro Sánchez manifestada pelo apoio à investidura da socialista Francina Armengol como presidente do Parlamento e passar para as hostes populares.
Francisco Seixas da Costa considera essa espécie de quadratura do círculo uma impossibilidade à partida: “os independentistas não votariam em aliança com o Vox, que já disse que uma das suas reivindicações é acabar com as autonomias”. Mas num quadro político onde as bruxas existem mesmo quando nelas não se acredita, o analista não consegue ter a certeza absoluta que esse é um caminho 100% impossível. Até porque, recorda, o histórico do seu líder, Carles Puigdemont, aconselha a alguma contenção quanto a certezas absolutas.
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