Empresas aceleram transformação, mas apenas 14% se destacam e obtêm resultados de grande escala

Estudo global da KPMG revela que as organizações gerem, em média, 3,5 programas em simultâneo. No entanto, a proliferação de iniciativas não se traduz em impacto proporcional no desempenho nem no uso eficaz da inteligência artificial.

Empresas aceleram transformação, mas apenas 14% se destacam e obtêm resultados de grande escala
Leitor 5d68941a1f49c KPMG.png

As empresas estão a acelerar os seus processos de transformação empresarial, mas a multiplicação de projetos está longe de garantir um impacto proporcional no desempenho. Segundo o novo estudo global da KPMG, Transforming the Enterprise, apenas 14% das organizações consideram estar no lote dos líderes de atividade face aos seus pares, e menos de um terço consegue obter resultados relevantes à escala de toda a empresa.

O relatório, realizado junto de 1.750 CEO e responsáveis de transformação em 20 geografias, revela um cenário de grande dispersão de esforços. Cada organização gere, em média, 3,5 programas de transformação em simultâneo. A quase totalidade das empresas — cerca de 94% — mantém pelo menos duas iniciativas em curso, 72% desenvolvem três ou mais, e mais de metade gere quatro ou mais programas em paralelo. A transformação digital lidera as prioridades ao estar presente em 70% das organizações, seguida pela transformação funcional, em 47%, e pela gestão do risco, em 32%.

Apesar deste nível elevado de atividade, os dados mostram que acumular projetos não garante melhores resultados. O principal desafio das empresas deixou de ser o lançamento de novas iniciativas para passar a ser a sua coordenação, estabelecendo prioridades comuns para que os investimentos em tecnologia, pessoas e processos contribuam para os mesmos objetivos.

João Sousa Leal, head of Advisory da KPMG Portugal, sublinha que as organizações não têm falta de iniciativas de transformação, sendo agora necessário articulá-las e convertê-las em resultados concretos. O responsável alerta que transformar não é suficiente e que a execução tem de ser planeada, sob pena de a fragmentação gerar ineficiências, custos adicionais e atrasos na adaptação. Acrescenta ainda que a inteligência artificial (IA) aumenta essa exigência, pois só gera valor real quando apoiada em dados de qualidade, modelos operacionais adequados, competências, confiança e execução coordenada.

Para responder a estas dificuldades, a KPMG sugere três prioridades estratégicas: reforçar as bases de tecnologia, dados, confiança e governance; redesenhar o trabalho e os modelos operativos para integrar pessoas, IA e automação; e repensar a empresa como um sistema interligado e em permanente evolução, capaz de orquestrar recursos e decisões em tempo real.

Inteligência artificial gera ganhos, mas o impacto global continua limitado

Embora a inteligência artificial esteja a ser adotada em áreas que vão da análise de dados e automatização até ao apoio à tomada de decisão e gestão do risco, os seus benefícios continuam circunscritos a melhorias operacionais locais. E apesar de 48% das organizações registarem ganhos incrementais de produtividade, apenas 11% reportam um impacto substancial à escala de toda a empresa. A produtividade continua a ser a principal métrica para avaliar o valor da IA, referida por 39% das organizações, seguida da redução do tempo em tarefas através da automatização, com 36%, e da diminuição de custos operacionais, com 33%.

A adoção da tecnologia varia significativamente entre departamentos. A área de Tecnologia e Sistemas de Informação lidera com 59% de utilização, seguida por Marketing e Vendas, com 43%, e Operações, com 42%. Por outro lado, funções como Risco e Compliance, Finanças e Recursos Humanos registam taxas de utilização mais reduzidas, situando-se nos 37%, 33% e 31%, respetivamente. Quanto à preparação das equipas, apenas 19% das organizações consideram que os seus colaboradores estão altamente preparados para trabalhar com IA, enquanto 49% os avaliam como moderadamente preparados e as restantes reconhecem níveis insuficientes.

A gestão do risco e o governance da IA continuam a ser pontos fracos na maioria das organizações. Apenas 24% integram proativamente os riscos da tecnologia na sua estratégia e ao longo de todo o seu ciclo de vida. Cerca de 41% dispõem de modelos definidos mas ainda não totalmente integrados, enquanto 25% mantêm uma resposta reativa e dividida por áreas. Em 10% dos casos, a gestão do risco permanece totalmente descentralizada, ficando a cargo de cada equipa.

Apesar de 57% das empresas já encararem a confiança como uma vantagem competitiva e um diferenciador estratégico, apenas 28% conseguem associar diretamente os mecanismos de confiança, governance e gestão de risco da inteligência artificial a resultados financeiros ou operacionais concretos.

Relacionado

Lufthansa irá arcar com eventuais remédios diretamente para entrar na TAP, afirma Governo

Lufthansa irá arcar com eventuais remédios diretamente para entrar na TAP, afirma Governo

Respondendo a perguntas da líder parlamentar do PCP Paula Santos sobre a operação, Hugo Espírito Santo lembrou que “existe o compromisso de que o comprador irá arcar com os remédios regulatórios diretamente”, mas rejeitou especular sobre as condições e obrigações que o executivo comunitário possa vir a decidir enquanto guardião dos tratados europeus em matéria de concorrência.